Estudo da Forrester prevê que o número de mulheres CISOS nas empresas da Fortune 500 aumentará para 20% em 2019. O índice não é diferente no País e a Security Report entrevistou Andréa Thomé, líder da Woncy – Women in Cibersecurity no Brasil, para entender o crescimento da participação feminina,destaque da 10ª edição do Security Leaders São Paulo.

Por: Paula Zaidan

Em apenas dois anos, a presença feminina como CISO nas organizações aumentou 7%. O índice foi medido pela Forrester, quando em seu estudo prevê que o número de mulheres CISOs nas empresas da Fortune 500 aumentará para 20% em 2019, em comparação com 13% em 2017. Isso é consistente com novas pesquisas da Boardroom Insiders, que afirma que 20% dos diretores globais de informação da Fortune 500 ( CIOs) agora são mulheres – a maior porcentagem de todos os tempos.

A RSA Conference USA 2019, realizada recentemente em São Francisco – que é o maior evento de segurança cibernética do mundo, com mais de 40.000 pessoas e 740 palestrantes – é outro ponto de medição para a representação de mulheres em nosso campo. “Na conferência deste ano, 46% de todos os oradores principais eram mulheres”, de acordo com Sandra Toms, vice-presidente e curadora da RSA Conference, em um blog que ela postou no último dia do evento deste ano. “Enquanto as palestras da RSAC viram quase a paridade de gênero este ano, as mulheres compuseram 32% de nossos orador

es”, observou Toms.

Diante desse crescimento real no mundo todo, a 10ª edição do Security Leaders São Paulo, contará com um talk show dedicado exclusivamente para as C-Levels, o Women in Cybersecurity, no dia 30 de outubro. Mas para entender um pouco desse aumento da presença feminina, a Security Report traz uma entrevista exclusiva com Andréa Thomé, líder da Woncy – Women in Cibersecurity no Brasil.

Security Report: Como você avalia o mercado de cybersecurity para a carreira das mulheres?

Andréa Thomé: Ao mesmo tempo em que este mercado está em uma curva crescente, há alguns anos em busca de profissionais em todos os níveis hierárquicos, líderes têm dificuldades para contratar profissionais nesta área, conforme citação de 89% dos participantes do Salary Guide 2020, da Robert Half. Esta busca por capital intelectual é potencializada em grande parte, segundo relatório do World Economic Forum pela alta ocorrência de ataques de Cybersecurity, que é o 5º maior risco para os negócios ao redor do mundo e o 1º na América do Norte. Entretanto, as mulheres são minoria neste mercado, segundo estudo do Cybersecurity Workforce de 2018, que afirma que ocupamos uma em cada três vagas. Ou seja, em meu entendimento temos muitas oportunidades de crescer e ocuparmos um percentual mais significativo neste setor.

Security Report: Estudos comprovam que as mulheres possuem algumas habilidades e, dentre elas, cuidar e a gestão de risco já estão no DNA delas. Como isso impacta na liderança de segurança da informação nas empresas?

Andréa Thomé: A liderança em temas de segurança da informação e até mesmo carreiras STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), requer soft skills muito importantes, independente de gênero. Dentre eles normalmente destaco: adaptabilidade a ambientes, pessoas e desafios; flexibilidade; visão analítica e crítica de negócios e também técnica (o que inclui a visão de riscos); colaboração e trabalho em equipe; comprometimento; aprendizado contínuo; orientação ao cliente interno e externo; liderança e; comunicação verbal e escrita. Lidero equipes há mais de 25 anos e em minha experiência muitas mulheres conseguem se destacar em muitos destes aspectos e isso certamente as leva adiante em suas carreiras.

Security Report: O estudo Women in Cybersecurity releva que comparado aos homens, porcentagens mais altas de mulheres profissionais de cibersegurança estão alcançando posições como diretora de tecnologia (7% das mulheres vs. 2% homens), vice-presidente de TI (9% vs. 5%), diretor de TI (18% vs. 14%) e nível C-level (28% vs.19%). De acordo com sua experiência, quais os fatores para esse crescimento nos últimos anos?

Andréa Thomé: Este fato se dá por conta de altos níveis de educação e mais certificações. Eu acrescentaria a presença nata de intuição no currículo, fator que nos leva a projetar situações e maior previsibilidade para reagir às negativas e potencializar as positivas.

 

Security Report: Você acredita que o mercado esteja mais aberto para a liderança feminina na cibersegurança em função da migração de mulheres oriundas de outras áreas de negócios?

Andréa Thomé: Esta migração é hoje mais intensa do que no passado. Temos mulheres mais multidisciplinares e com experiência técnica múltipla em suas carreiras, hoje atuando em Cybersecurity, o que certamente pode facilitar sua chegada a funções de liderança.

Recebemos profissionais de áreas diversas de TI, GRC, Auditoria, Compliance, RH, Segurança Patrimonial, Vendas, Jurídica, Riscos, dentre outras para diversas funções técnicas e de liderança nas organizações. Isso vem acontecendo em função do quão instigantes são os desafios em Cybersecurity.

Security Report: Você acredita que o Shadow IT é mais comum nas lideranças de segurança da informação masculina? Por que?

Andréa Thomé: Em meu entendimento o Shadow IT não tem conexão direta com o gênero que assume a liderança de Cybersecurity. O que em meu entendimento é facilitado na gestão feminina é a negociação para reversão deste movimento e o convencimento das áreas que levam suas iniciativas de TI para fora da vista dos especialistas. Isso se dá porque as mulheres atuam com o mindset de gestão de riscos de uma forma mais natural e autônoma e com as variáveis em mãos, deixam claro os riscos de se manter ambientes de tecnologia longe dos cuidados de quem pode minimizar ameaças.

Fonte: Security Report