Acordo terá duração de três anos e prevê áreas prioritárias para digitalização, incluindo educação, saúde e segurança pública

Por: Carla Matsu

Cisco e o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) assinaram nesta quarta-feira (27) um acordo de colaboração que busca, através de suas estratégias, impulsionar a transformação digital no Brasil. A iniciativa integra um programa global da companhia, o Country Digital Acceleration que, além do Brasil, contabiliza outros 33 países com projetos de digitalização apoiados e encabeçados pela Cisco.

No Brasil, o programa recebe o nome de “Brasil Digital e Inclusivo” e a parceria com o MCTIC fica conhecida como “Cisco e MCTIC – Acelerando a Transformação Digital”. O acordo foi anunciado durante evento virtual que contou com a presença da liderança executiva da Cisco, incluindo o presidente da Cisco Brasil Laércio Albuquerque, e também o ministro Marcos Pontes, o secretário-executivo do MCTIC, Julio Semeghini e o secretário de Empreendedorismo e Inovação, Paulo Alvim.

Segundo a Cisco, o anúncio compreende um investimento estratégico da companhia no Brasil. Além de parceria com o setor público, o programa buscará parcerias com a indústria e outras empresas. As iniciativas terão como foco as áreas de educação, saúde, segurança cibernética, agronegócio, segurança pública, energia e manufatura. O acordo com o MCTIC terá, a princípio, duração de três anos. Indagada sobre os investimentos que a companhia dedicará ao programa, a Cisco disse que não comenta informações de tal ordem.

Em coletiva com jornalistas, Rodrigo Uchoa, diretor de transformação digital da Cisco do Brasil, conta que a aproximação com o governo federal para lançar uma iniciativa do CDA no Brasil começou a se desenhar ainda em 2019 durante reuniões no Mobile World Congress, principal feira de tecnologia móvel do mundo e que acontece anualmente em Barcelona, Espanha.

Até então, 32 projetos estão previstos dentro do Brasil Digital Inclusivo, com acordos e parcerias em andamento, segundo o executivo. Um dos projetos que já começa a ser desdobrado é a criação de uma plataforma de Monitoramento do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Junto com o MCTIC, a Cisco trabalhará no desenvolvimento de uma plataforma de big data que mapeará as iniciativas – tanto públicas quanto privadas – de pesquisa e inovação. Esse tipo de iniciativa, diz a Cisco, dará suporte a gestão e definição de políticas públicas no País orientadas para inovação e desenvolvimento industrial. Chamada pelos executivos de “Torre MCTIC”, a plataforma deve ser lançada em três meses e a ideia é que ela não tenha fim, no sentido de que acompanhará projetos em andamento e aqueles que surgirão.

indústria 4.0 também deve assumir protagonismo no acordo. Segundo a companhia, está prevista a criação de um Centro de Experiência focado nas tecnologias de suporte à Indústria 4.0 e manufatura avançada, assim como o desenvolvimento de um programa de capacitação de profissionais para atuarem no segmento. Com isso, a Cisco pretende apoiar a formação de 2 mil profissionais aptos a trabalharem com disciplinas que avancem o setor.

Maior digitalização também implica em mais ameaças à segurança das informações. Neste sentido, a Cisco informa que está trabalhando no Programa de Cibereducação, que será lançado através do Cisco Networking Academy, que visa impactar cerca de 7 mil jovens. O projeto busca desenvolver novos talentos em segurança cibernética. A Cisco também trabalhará com o MCTIC no uso de análises e inteligência, bem como na troca de informações sobre ameaças à segurança cibernética.

“Falar de transformação digital não é nada novo. Estamos há 25 anos no Brasil, ajudando a construir a infraestrutura de internet, de data center, isso faz parte de uma longa jornada”, diz Rodrigo Uchoa. “O importante é que, com o CDA, a gente acelere a digitalização”, acrescenta.

Para Giuseppe Marrara, diretor de Políticas Públicas da Cisco, o Brasil Digital e Inclusivo cria um “círculo virtuoso para a Cisco”. “Além de fazer o que é certo e estar no DNA da empresa, quando criamos um ecossistema onde o maior número de aplicações está disponível para o maior número de usuários possível, isso alavanca a economia e cria um espiral positivo no tráfego da internet”, diz ao ser indagado sobre o possível saldo que o acordo traria para a Cisco. “A gente não pensa em um projeto que terá resultado em seis meses, mas derrubar barreiras que possam refletir no nível de digitalização do Brasil, no número de dispositivos conectados. E isso é interessante para a Cisco no longo prazo. A Cisco Brasil vai se beneficiar na medida e no tamanho que o Brasil se beneficiará”, conclui.

O acordo também prevê investimento da Cisco em iniciativas no Brasil relacionadas a áreas como cidades inteligentes, Internet das Coisas (IoT), 5G e Wi-Fi 6.

Fonte: Computer World