A invasão foi feita sem ajuda da Apple no iPhone do saudita Mohammed Saeed Alshamrani, que em 6 de Dezembro de 2019 assassinou três militares numa base aeronaval em Pensacola, na Flórida

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O FBI e a Procuradoria Geral da Justiça dos EUA comunicaram hoje ter conseguido invadir o iPhone do saudita Mohammed Saeed Alshamrani, que em 6 de Dezembro de 2019 assassinou três militares numa base aeronaval em Pensacola, na Flórida. As informações contidas no telefone ligam o assassino a uma organização afiliada da Al Qaeda, disse o procurador-geral William Barr. Demorou mais de quatro meses para que uma equipe de peritos do FBI desbloqueasse os telefones do atirador, disse o diretor do FBI, Christopher Wray: “Isso consumiu recursos que poderiam ter sido gastos em outras investigações se a Apple tivesse projetado seu software para acesso às autoridades”, acrescentou.

A descoberta do caso Pensacola ocorre quatro anos após o FBI ter exigido que a Apple desbloqueasse o iPhone dos autores do ataque terrorista de San Bernardino, Califórnia. Uma empresa contratada pelo órgão conseguiu acessar o dispositivo.

Na entrevista coletiva convocada para anunciar a invasão do telefone, as autoridades criticaram fortemente a Apple por não ter concedido acesso às comunicações criptografadas contidas no telefone, descrevendo esse fato como um obstáculo à investigação.

O diretor do FBI disse “recebemos, efetivamente, nenhuma ajuda da Apple”. Ele não detalhou a técnica usada pelos funcionários do FBI para desbloquear os telefones, mas disse que “não era uma correção para o nosso problema mais amplo da Apple” de acessar as comunicações criptografadas de outros suspeitos.

Projetar telefones para que apenas os usuários possam desbloqueá-los é uma “decisão comercial e de marketing” da Apple que tem “consequências perigosas para a segurança pública e a segurança nacional”, acusou Barr.

Em um comunicado, a Apple disse que forneceu aos investigadores do caso “todas as informações disponíveis, incluindo backups do iCloud, informações de contas e dados transacionais para várias contas”.

Essa invasão é considerada pelo setor policial uma virada na luta entre policiais e defensores das liberdades civis em torno da criptografia dos dispositivos de comunicação digital. A polícia e os promotores lamentam há muito tempo que essa criptografia prejudique a resolução de crimes e de investigações de terrorismo. Os especialistas, no entanto, dizem que qualquer software projetado com acesso para a aplicação da lei corre o risco de enfraquecer a segurança de muitos outros usuários.

Embora continuem investindo em ferramentas para quebrar a criptografia ou invadir telefones, as forças policiais têm insistido com os políticos numa legislação que lhes conceda acesso a comunicações criptografadas porp meio de um mandado. Como nas ocasiões anteriores, eles encontraram aliados entre os legisladores. Um projeto de lei do Senado americano apresentado em março forçaria as empresas de tecnologia a fazer mais para combater a exploração infantil ou correr o risco de perder a proteção de responsabilidade. Os críticos  dizem que  não haveria maneira de as empresas cumprirem a lei sem prejudicar a criptografia forte.

Com agências internacionais

Fonte: CISO Advisor