Em tempos onde o número de ataques assusta e a conformidade habita o campo fiscal, renegar a segurança é flertar com o perigo

Por Everton Moreira*

A discussão em torno da transformação digital e suas consequências para a realidade operacional das organizações não para de ganhar novos e decisivos elementos. Seja pela construção de possibilidades inovadoras através de ferramentas assertivas, ou pelo contexto mutável e que atualmente, representa um momento de instabilidade e falta de certeza sobre os meses que virão. Entre os obstáculos de se adaptar à pandemia global de COVID-19, o modo como as empresas lidam com o fluxo e armazenamento de suas informações carece de uma atenção especial por parte de líderes e gestores, independentemente do segmento ou porte de negócio.

Na teoria, a resolução de uma cultura de dados orientada à Tecnologia da Informação mostra-se fundamental e extremamente frutífera, rendendo benefícios inquestionáveis, como a redução de custos e o aumento da produtividade. Antes de vislumbrar essas probabilidades que de fato, poderão ser concretizadas, é essencial encontrar métodos de se sustentar uma infraestrutura sólida, bem como profissionais capacitados para garantir a funcionalidade digital.

Segurança é palavra-chave nesse processo. Sem ela, é impossível sequer projetar resultados satisfatórios. Em tempos onde o número de ataques cibernéticos assusta e a privacidade e conformidade de informações pessoais são componentes que habitam o campo fiscal, renegar esse aspecto é flertar com um perigo desnecessário. Pensando nisso, preparei um artigo completo sobre o tema. Acompanhe.

Como você enxerga os dados?

Uma quantidade elevada de informações disseminadas, repassadas, depositadas em sistemas manuais e totalmente entregues a procedimentos duvidosos. Há um tempo atrás, talvez realidades como essa fossem aceitáveis, dada à mentalidade e a falta de suporte tecnológico. Tão importante quanto adotar soluções digitais, é transformar essa visão sobre um objeto que hoje é determinante para o andamento de qualquer empresa. Dados são aditivos de valor e possuem uma lista enriquecedora de utilidades e finalidades.

Se não atribuímos a devida importância à presença informacional, é pouco provável que liguemos para sua segurança, não é? Por isso, o primeiro passo é compreender a relevância de cada dado e como ele está sendo conduzido pelos métodos de trabalho selecionados. Dessa forma, podemos levantar possibilidades e identificar pontos de atenção que sirvam para simplificar e denotar assertividade às atividades.

Qual é o papel da TI?

Se antes, executivos enxergavam o departamento de TI como um setor descartável, de pouco impacto efetivo e até como um gasto desnecessário, o mercado fez questão de forçar uma remodelação desse pensamento, que já não corresponde ao mundo que vivemos. As pessoas, em termos gerais, estão interligadas por redes e mídias sociais, e dentro desse vasto universo da web, questionamentos sobre privacidade, transparência e conformidade quanto ao uso de dados tem redirecionado a maneira como as companhias se comportam, já que estão inseridas diretamente nesse contexto.

Não por acaso, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) foi formulada para contemplar e assegurar a integridade de informações pessoais obtidas pelas empresas. Apesar de postergada pelo Senado Federal, a expectativa é de que a lei entre em vigor a curto ou médio prazo. Se preparar para as normas previstas no texto referente à na nova legislação sem o protagonismo do TI pode ser um chamariz para problemas fiscais. Para se ter uma dimensão, multas e sanções milionárias são meios de punição encontrados na LGPD.

Tecnologia é ferramenta de evolução

Os efeitos práticos de uma equipe de TI fortificada e prestigiada refletem na empresa como um todo. Com plataformas digitais responsáveis pelo estoque e condução de informações, profissionais serão redirecionados para tarefas mais complexas e de cunho estratégico, deixando ações exaustivas para a máquina. Além disso, a chance de erros críticos e falhas propensas ao vazamento de dados será minimizada, diminuindo o risco de ameaças cibernéticas. Não se trata de substituir o material humano, mas de valorizá-lo com o pretexto indispensável de segurança informacional. É o simples ato de unir o que há de melhor dos dois mundos.

A forma como lidamos com departamentos de TI passa muito por essa desmistificação. Geralmente, empresas alheias ao fenômeno da transformação digital não possuem um parâmetro fiel sobre o tópico, caindo no senso comum de ideias retrógradas e pouco verossímeis. Felizmente, o entendimento sobre a segurança dos dados tem crescido no Brasil e no mundo, e é uma ótima porta de entrada para que a Tecnologia da Informação atinja seu real propósito; em prol única e exclusivamente do crescimento de todos, e claro, das empresas.

Sua empresa está preparada para garantir a segurança dos dados? Participe do debate e faça essa reflexão.

*Everton Moreira é CEO da Avanter

Fonte: CIO