Desafio é como será o suporte das equipes de TI quando os dispositivos retornarem para o ambiente corporativo sem pôr em risco as redes das empresas

 

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Passado pouco mais de um mês do início do período do isolamento social, em que toda a sociedade brasileira passou a viver confinada em suas residências como forma de conter a disseminação da pandemia de covid-19, o home office consolidou seu espaço como um novo formato de trabalho que tende a permanecer mesmo após a crise passar. Há tempos se fala das vantagens financeiras do trabalho remoto, que são em grande parte proporcionadas pelas tecnologias, e que agora, de maneira inusitada e repentina, são testadas por uma grande parcela de empresas.

Em tempo recorde, gestores tiveram que traçar planos para enviar seus colaboradores para casa, com uma infraestrutura mínima a fim de garantir a continuidade de suas operações. Do ponto de vista do ambiente de TI, esse movimento leva a riscos críticos de segurança cibernética que precisam ser considerados e muito bem planejados a fim de evitar possíveis problemas futuros quando a situação se normalizar e todos voltarem para o escritório.

Os principais desafios vão desde a falta de notebooks no mercado devido à alta procura, incluindo o mercado de aluguel de máquinas, até a implantação de toda as camadas de proteção e segurança passando pela educação do usuário sobre as boas práticas de segurança de dados e engenharia do crime virtual.

A realidade é que a maioria das companhias brasileiras está tendo a sua primeira experiência com esse modelo de trabalho e junto com essa nova prática, estão vindo uma série de novos desafios que independentemente do nível de maturidade digital das companhias, todas irão enfrentar, mais cedo ou mais tarde, a “segunda onda” dos desafios de TI trazidos pelo home office.

Vários profissionais da área já estão debatendo como será o suporte das equipes de TI quando esses dispositivos retornarem para o ambiente corporativo sem colocar em risco as redes das empresas. O processo de “sanitização” será uma peça-chave no tratamento dos dispositivos, para evitar uma série de “infecções” que podem colapsar as redes corporativas, fazendo uma alusão com o mundo real, e voltar a repetir uma pandemia como a que estamos vivendo atualmente.

É nessa fase da “segunda onda” que as novas tecnologias se tornam nossas grandes aliadas para suportar essa demanda. Algumas ferramentas são fundamentais e devem ser colocadas como prioridade nesse processo. Uma delas é a tecnologia VPN (Virtual Private Network, em inglês) que, apesar de ser apenas o primeiro passo, se apresenta como essencial para simplificar o tráfego de dados de forma segura. Ainda existem algumas soluções de VPN mais robustas, que fazem a checagem do processo de compliance que algumas organizações exigem, para liberar perfis de acesso ou gerar uma regra que conecta a máquina em um único servidor, o que já minimiza o risco de uma possível infecção.

Ainda dentro das ferramentas de segurança, têm ganhado cada vez mais destaque as tecnologias de criptografia de dados de HD para proteção em casos de furtos ou roubos de máquinas e as tecnologias de duplo fator de autenticação de senha, garantindo o controle de acesso à rede e a proteção de informações sigilosas.

Prevenção contra invasores

A tecnologia DLP (Data Loss Prevetion, ou prevenção a perda de dados) não é novidade no mercado, mas voltou ao centro das discussões por sua característica, que serve exatamente para analisar os arquivos acessados por um funcionário, além de conseguir colocar um funil para verificar quem acessou.

Alguns podem dizer que é uma solução complexa, por depender da classificação da informação, mas o objetivo é gerar um registro preciso de todos os processos, para que a empresa não só consiga fazer o rastreamento no caso de um vazamento de dados, como também analisar a origem do problema. Ou seja, o sistema consiste em um conjunto de políticas de segurança e regras que podem ser aplicadas com a ajuda de softwares especializados para reforçar o bloqueio contra possíveis invasores.

Apesar das formas de interação social e de trabalho estarem mudando com a nossa nova realidade dentro da pandemia, a segurança dos negócios virou prioridade em um mundo digitalmente transformado. A adoção do home office trouxe diversos desafios para as empresas e já está deixando algumas reflexões para o futuro. Dentre elas, está o uso iminente das tecnologias para tornar trabalho mais colaborativo, inteligente e, claro, mais seguro. Sua empresa está preparada?

Henrique Lopes é especialista em segurança de dados na NetSecurity, empresa especializada em cibersegurança

Fonte: CISO Advisor