Novo protocolo foi criado para diminuir a ocorrência de fraudes ao mesmo tempo que aprimora os níveis de aprovação de compra

Por Ana Paula Lapa*

Sabemos que o mundo caminha para uma realidade cada vez mais digital e conectada, lançando uma nova corrida aos negócios, gerando mais competitividade nesse novo ecossistema.

Hoje, a tela dos celulares se tornou uma grande vitrine, em que clientes conseguem, em poucos cliques, comparar preços, marcas e modelos e efetuar suas compras, seja ela itens de vestuário, livros, produtos de beleza, viagens, entre outros inúmeros produtos.

Esta é uma modalidade de consumo recente e que já representa mais 20% do total de vendas no Brasil, uma performance de crescimento bem mais acelerada do que compras tradicionais feitas pessoalmente em lojas, mercados e centros comerciais.

A digitalização e a omnicanalidade também não são mais novidades para o varejo. O que vemos hoje é sua consolidação como rotina do consumidor médio, que tem ampliado a variedade de produtos adquiridos via canais digitais (começando com livros, passando por passagens áreas, itens de maquiagem, eletrodomésticos, vestuário e, agora, também a compra semanal no supermercado). Este é um mercado potencial de R$ 74 bilhões apenas no Brasil até o final deste ano, segundo previsões da Nielsen.

Também entre as previsões de mercado, já se espera que em um curto período, as compras digitais – chamadas na indústria de meios eletrônicos de pagamento (MEP) “cartão não presente” – superarão as feitas pessoalmente nas lojas, em uma modalidade tradicional de pagamento, com cartão físico.

Tais mudanças comportamentais são reflexos das transformações das jornadas de consumo e trarão um grande desafio para o varejo: se nas compras tradicionais temos contato direto com o comprador, confiando naquilo que estamos vendo diante de nossos olhos, suportados por um sistema de autenticação por chip, nas compras online não somos capazes de “vê-lo”.

Novos processos para uma nova jornada

Por isso, temos a missão de criar processos seguros para aferir e autorizar as compras no ambiente online, fazendo com que os índices de combate à fraude amadureçam e alcancem os números satisfatórios construídos nas últimas décadas para os pagamentos no ambiente físico.

Nessa equação de combate à fraude, devemos considerar um importante componente: a experiência de compra oferecida aos usuários deve ser a mais cômoda e intuitiva possível.

Os negócios devem estar muito atentos a tais questões, para melhorar a experiência do usuário e evitar qualquer tipo de etapa adicional ou dificuldade na finalização de uma compra, que eventualmente possa acarretar uma desistência. Esse é um trade-off que tem desafiado muitas empresas no século XXI.

O mercado ainda está testando as melhores estratégias para atingir um bom equilíbrio entre ações de prevenção e segurança e sites/aplicativos intuitivos e fáceis de usar, sendo um momento crucial para o lojista se diferenciar dos concorrentes. A usabilidade dessas plataformas será um fator de competitividade de mercado decisivo a partir de agora.

A Resposta da Indústria de Meios de Pagamentos

Justamente para solucionar esse desafio, o setor de MEP se mobilizou para desenvolver um protocolo de segurança capaz de suportar o crescimento do e-commerce.

Já em sua segunda versão, o protocolo EMV 3DS oferece uma abordagem diferenciada para o varejo digital, que combina um volume de informações de clientes nunca obtido, o que aumenta a assertividade do processo de autenticação, resultando em uma menor ocorrência de fraudes e melhoria dos níveis de aprovação de compra.

Comparado à primeira versão, o 3DS 2.0, é capaz de processar um montante dez vezes maior de dados de cada usuário, além de ser mais versátil, com aplicação também para mobile.

Essa é a principal aposta para que as compras online atinjam um nível de aprovação semelhante aos praticados no ambiente físico, que passaram por um histórico processo de aprimoramento de seus mecanismos de segurança, contando hoje com taxa de aprovação de cerca de 95%.

E, toda a cadeia já tem percebido a eficácia do protocolo. Hoje, o país passa por um movimento de aceleração da implementação do 3 DS 2.0, contando com fortes apoiadores entre bancos emissores e os próprios comerciantes, que têm reconhecido os benefícios da tecnologia nos resultados financeiros de seu negócio.

Merece destaque ainda, o fato de que o EMV 3 DS incentivará a aceitação do débito online, que ainda possui pouca representatividade no volume de compras em e-commerce.

Dados da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) indicam que mais de 38 milhões de pessoas possuem apenas cartão de débito e cerca de 20 milhões possuem cartões múltiplos em que o crédito não está ativo.

Por isso, a ampla utilização do débito online permitirá que mais de 58 milhões de cartões tenham a possibilidade de realizar compras no ambiente digital.

Por permitir processos de autenticação profundos e invisíveis, o 3 DS 2.0 garante que lojas virtuais diminuam as fricções envolvidas no processo de compra, resultando, assim, em um ambiente seguro contra fraudes e mais eficiente, além de oferecer ganhos em relação a experiência do usuário, um dos elementos com percepção de valor crescente no mercado.

*Ana Paula Lapa é vice-presidente de Produtos da Mastercard Brasil e Cone Sul

 

Fonte: Computer World