Novas tecnologias criadas em blockchain que estão surgindo podem nos ajudar a ter mais controle sobre nossa identidade

Por: Carlos Henrique Duarte*

Se há algo que define nossa maneira de nos comunicar no século 21 é a hiperconectividade. Essa possibilidade de estar permanentemente conectado para compartilhar informações em diversas aplicações, através de diferentes dispositivos, como celulares, tablets, laptops, entre outros.

Mas essa era de hiperconexão é também uma oportunidade e uma ameaça, se levarmos em conta que os cibercriminosos aproveitam o acesso aos seus dados pessoais e podem violar suas informações, a ponto de roubar sua identidade.

Crime informático e roubo de identidade são mais comuns do que pensamos. No Brasil, um em cada cinco brasileiros já foi vítima de roubo de identidade, o que representa 24,2 milhões de potenciais vítimas em todo o País de acordo com o PSafe. Essas violações são prejudiciais porque os dados roubados podem ser facilmente usados ​​para cometer fraudes contra você ou contra terceiros.

Apesar dos bilhões de dólares gastos na verificação de identidade, não temos uma maneira confiável de identificar as pessoas “cegamente”, e não temos uma maneira segura de trocar nossas informações, sejam pessoais ou profissionais.

As novas tecnologias criadas em blockchain que estão surgindo podem nos ajudar a ter mais controle sobre nossa identidade. Como? Imagine um mundo em que suas credenciais não possam ser facilmente roubadas ou mal utilizadas, em que você possui uma carteira digital que contém credenciais criptograficamente seguras que podem demonstrar imediatamente sua identidade. Você controla quais informações são compartilhadas e quem pode acessá-las. Imagine que você faz um pagamento. O pagamento do aluguel da sua casa; retirada de dinheiro de seu banco de confiança ou até mesmo o registro dos nomes de seus filhos no site da escola. Deve ser uma troca segura de informações, certo? Nem sempre é assim.

A segurança é alcançada apenas através de técnicas criptográficas que permitem que uma entidade prove uma declaração, como conhecer um segredo sem revelar informações sobre esse segredo. Por exemplo, validando que você tem dinheiro suficiente em sua conta poupança no banco A, para cobrir o pagamento inicial de um empréstimo hipotecário ao solicitar uma hipoteca no Banco B, sem precisar revelar seu saldo da poupança ou seu número de conta ou outras informações pessoais.

Blockchain pode permitir esse tipo de interações seguras (troca confiável de credenciais digitais), diretamente na fonte ou dispositivo, como seu telefone celular ou tablet. Essa troca privada e direta na borda da rede não significa apenas que podemos obter melhor desempenho e escala, mas também e mais importante, que não precisa voltar à rede pública, pois as informações privadas nunca são gravadas no livro maior (ledger). Dessa forma, as pessoas poderiam controlar quando, onde e com quem compartilham suas credenciais.

No mundo físico, consideramos essa troca de credenciais garantida; imagino que você não desça a rua dando o número da sua conta bancária ou o endereço da sua casa a estranhos, no entanto, você faz o mesmo – com segurança e inteligência – no mundo digital? Portanto, nesta era de hiperconexão, uma nova abordagem usando uma identidade descentralizada baseada em blockchain pode criar uma mudança tecnológica focada na privacidade do usuário, apresentando uma vitória para nós como indivíduos e para as organizações, e assim poder interagir com maior confiança.

*Carlos Henrique Duarte é líder de Blockchain Services da IBM América Latina

Fonte: Computer World