Se antes do surgimento da covid-19 apenas uma em cada quatro empresas estavam com iniciativas de adequação à Lei Geral de Proteção de Dados, agora existem ainda mais obstáculos para essa preparação até agosto deste ano, quando a lei começará a vigorar. E esse é apenas um dos desafios trazidos pelo novo coronavírus, segundo avalia a IDC Brasil. Mas é bom lembrar que o Governo não se mobilizou para fazer valer a vigência da LGPD, uma vez que – antes da pandemia – não se mobilizou para formalizar a Autoridade Nacional de Dados, crucial para sustentar o cumprimento da nova legislação.

“Neste  momento, as empresas precisam manter o negócio e continuar gerando receita. Quem conseguir se posicionar em um cenário adverso, mudando seus canais de relacionamento e se adaptando ao digital, já pensando em como tratar a privacidade de seus clientes, lidará melhor com a crise”, aponta Luciano Ramos, gerente de pesquisa e consultoria em Enterprise da IDC Brasil. Segundo ele, o impacto claramente é negativo, mas em diferentes níveis. “O mercado de devices será o mais afetado, porque há interrupção de toda a cadeia produtiva. Em enterprise, as empresas continuarão consumindo soluções de infraestrutura”.

O gerente da IDC Brasil lembra que o porte, fôlego e disposição das empresas perante as adversidades também deve ser considerado. “Vemos oportunidades nas grandes empresas, que têm musculatura para situações de risco ou crise. Já nas empresas de pequeno e médio porte, existe a dificuldade em se adaptar com as mudanças na dinâmica do mercado, como a forma de se relacionar e trabalhar em um ambiente digital”.

Entre as oportunidades neste cenário está o trabalho remoto. Com ele, soluções de colaboração, conectividade e comunicação ganham importância. “É um mercado que vai crescer nos próximos meses”, finaliza o gerente de pesquisa da IDC Brasil.

Fonte: Convergência Digital