Por: Luís Osvaldo Grossmann

Ao discutir os riscos de segurança relacionados à implantação do 5G no Brasil, o comandante de Defesa Cibernética, general Guido Amin Naves, ressaltou que cabe ao país tomar as medidas que entender necessárias para restringir ações indesejáveis sobre as redes de telecomunicações. Questionado sobre o discurso dos EUA contra fornecedores de equipamentos chineses em geral, e da Huawei em especial, o general lembrou que o risco existe seja qual for o fornecedor estrangeiro.

“Qualquer empresa, de qualquer país, tem condições de executar ações adversas. O que importa é que as empresas que vierem a participar tenham imposições de segurança e confiança”, defendeu o general Amin ao participar de debate promovido pelo Interlegis nesta quarta, 18/2. “Mas nada disso é razão para bloquear ou banir qualquer empresa, porque qualquer uma pode fazer a mesma coisa. É uma questão de nós nos preparamos para nos opor a isso.”

Ele defende, porém, que essa preparação inclua medidas desde o edital do 5G. “No 5G o que é preciso fazer, na visão da defesa de segurança cibernética, é adotar medida de resiliência desde o momento dos leilões de frequência. Medidas de resiliência cabíveis para nos opormos a essa situação, por exemplo, restringir participação de empresas controladas, por posse ou legislação, por qualquer governo estrangeiro, impor medidas de represália contratuais e legais severíssimas no caso de ação espúria intencional identificada”, apontou.

Ele é favorável ao limite de participação de fornecedores, especialmente no core de rede. “Que nenhuma empresa tenha domínio significativo de todo o backbone do 5G. Podemos também diminuir a influência de empresas que sejam controladas, por posse ou legislação, por qualquer governo estrangeiro. Podemos estruturar o sistema de forma a termos uma divisão de frequência e de áreas com recobrimento de maneira que se alguma tiver problema outra possa cobrir”, enumerou o comandante de defesa cibernética.

Uma sugestão já apresentada ao governo é a adoção de um ente público – uma empresa estatal, ou uma agência – que atue como integrador da rede. “Uma medida seria ter uma integradora nacional, preferencialmente sobre controle do governo, que possa não só integrar o sistema todo, garantir o serviço, mas que possa também auditar, fiscalizar.”

Assista ao posicionamento do comandante de Defesa Cibernética, general Guido Amim Naves.

Fonte: Convergência Digital