Securiti.ai, startup do Vale do Silício, foi listada pela revista Forbes como as dez principais empresas de cibersegurança a serem observadas em 2020 e inicia operação no país com foco em resolver um dos principais desafios do DPO: lidar com os direitos dos titulares do dado em uma operação holística de privacidade

Por: Léia Machado

Se em 2019, o tema Lei Geral de Proteção de Dados já estava em alta e no centro dos mais variados debates e discussões, este ano o assunto ganha ainda mais força, tanto antes da lei entrar em vigor – em agosto de 2020, quanto após esse mês de vigência, em que, de fato, as empresas terão que estar em conformidade com as regras. Certamente o DPO (Data Protection Officer) é a peça fundamental para lidar com as demandas da proteção e privacidade do dado, atendendo principalmente às exigências dos titulares das informações pessoais.

Em geral, o cotidiano do DPO está atrelado ao atendimento do titular do dado, entregando agilidade e precisão na resposta das mais diversas solicitações que virão a partir de agosto. Além claro de ter um controle de como esses dados são armazenados e tratados, gerenciamento de crise em caso de vazamento, gestão de comunicação para explicar algum incidente para titulares e agência reguladora.

É nesse cenário que a indústria de tecnologia entra em cena para auxiliar o trabalho do DPO, principalmente em automatizar processos. É o caso da Securiti.ai, uma startup norte-americana fundada no ano passado por Rehan Jalil (ex-Symantec), que iniciou a operação no Brasil em dezembro passado. Vladimir Amarante, diretor Regional para LATAM da Securititi.ai, também ex-Symantec, assume o comando na América Latina, com trabalhos iniciados em solo brasileiro.

A startup de San Jose/Vale do Silício, em São Francisco-USA, recebeu um aporte de US$ 50 milhões liderada pela General Catalyst e foi listada pela revista Forbes como as dez principais empresas de cibersegurança a serem observadas em 2020. O que está atraindo investimentos e holofotes é que a Securiti.ai atua na resolução de um dos problemas mais inquietantes das empresas: conformidade com as leis de proteção e privacidade de dados como a LGPD, no Brasil, a GDPR na Europa, e a legislação californiana CCPA (California Consumer Privacy Act) que impacta toda atuação nos Estados Unidos.

De acordo com Vladimir Amarante, o foco da empresa está 100% pautado na oferta da tecnologia PRIVACI.ai, que usa o conceito de operação de privacidade (PrivacyOps) para automatizar todas as principais funções de conformidade com recurso de inteligência artificial. Ou seja, a ferramenta trata todo o ciclo do dado do cliente dentro das bases das empresas e auxilia o DPO nessa operação, com promessa de interface amigável e entrega no modelo SaaS.

“Nosso foco é privacidade, que é vizinha/próxima da Segurança. A solução está 100% traduzida para o português e está sendo testada em algumas empresas brasileiras”, destaca o executivo. Ele acrescenta que a automatização a resposta aos titulares do dado é o que está em destaque nessa oferta, que pode atender todos os segmentos de mercado, mas tem um foco especial em segmentos com muitos titulares de dados como Varejo, Finanças, Saúde e Educação.

Maturidade

“A automação que propomos pode ultrapassar 80-90%, o que é um ganho enorme de eficiência e redução de custo nas empresas, além de uma postura mais adequada diante das regras da LGPD e das demandas do titulares do dado”, explica. Questionado se o Brasil está com boa maturidade para ter aderência a esse tipo de tecnologia, o executivo destaca uma certa urgência do mercado brasileiro em resolver os gaps das operações.

“Em termos de privacidade, está muito claro para mim que as empresas brasileiras estão apressadas em entender seu gap e adequar-se, mas há muito o que fazer. O que mais me intriga é como será a partir de agosto, quando as empresas terão que responder às solicitações dos titulares de dados diante da lei. É aqui que entramos para automatizar essa resposta, conectando as solicitações dos titulares dos dados”, completa.

A operação da Securiti.ai é de escala global 100% via parceiros. Assim como Vladimir que atua em toda América Latina, tem executivos espalhados na América do Norte, Europa e Austrália/Ásia. No Brasil, a empresa tem aproximadamente 10 parceiros credenciados e o objetivo é escalar para mais parceiros e canais ao longo de 2020. Com uso de provedores globais de nuvem pública, a ferramenta se integra a mais de 200 tipos de aplicações e levou a Securiti.ai a participar do RSA Conference Innovation Sandbox em San Francisco no final do mês como finalistas de startup mais inovadora.

“Para esse ano, nossa meta é crescer em toda América Latina, mais expressivamente no Brasil, que tem maior demanda das empresas em lidar com o grande volume de requisições de titulares de dados. Mas já estamos em contato com empresas do México e Colômbia e no segundo semestre de 2020 focarei em outros países LATAM”, conclui Vladimir Amarante.

Fonte: Security Report