Por: Luís Osvaldo Grossmann

O avanço das tecnologias de comunicação e da conectividade ubíqua incentivou o governo federal a adotar um processo de digitalização de serviços para oferta via internet e o uso e compartilhamento de dados como ferramentas de políticas públicas. Mas como repetidamente ressaltado durante o 7º seminário Cyber Security – Gestão de Risco no Governo, promovido nesta ultima semana, pela Network Eventos em Brasília, a custódia e uso de dados pelo governo exigem garantias cada vez maiores de segurança da informação.

“No Brasil, todos os órgãos públicos, federais e estaduais, utilizam a internet. Praticamente todas as empresas privadas usam e a internet está disponível em 75% dos domicílios. No entanto, somos o 70º lugar no ranking global de segurança cibernética, o que indica baixa maturidade. Exige educação para segurança, sensibilidade para o problema e um instrumento legal de âmbito nacional”, defendeu o diretor do departamento de Segurança da Informação do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Antonio Carlos Freitas.

Ele explicou que neste momento o governo trabalha na estratégia de segurança da informação e especialmente em instrumentos dela derivados, a começar por um plano nacional de tratamento e resposta a incidentes. “É um assunto seriíssimo. As empresas e os órgãos públicos precisam não só se preocupar com ele, mas planejar e executar medidas voltadas para a segurança cibernética”, completou.

Como apontou o assessor do Centro de Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos de Governo, Democlydes Carvalho, a primeira realidade que se impõe é a ausência de fronteiras na internet. “É utopia imaginar fronteiras dentro de uma grande rede como é a internet. Nações procuram isso, mas temos uma infraestrutura que gera grande conectividade entre todos, sem controle centralizado. Hoje mais de 90 mil sistemas autônomos, só no Brasil são quase 7 mil. Nesse contexto, ataques são cada vez mais potentes e fáceis de serem realizados.”

Ou ainda, como lembrou o superintendente de segurança da informação do Serpro, João Vieira Almeida Junior, um novo contexto de facilidades tecnológicas. “Tanto para Estado como para a sociedade. Analytics, Big Data, novidades que estão em mãos de pessoas que farão bom uso, mas também  em mãos de quem fará mau uso dessa tecnologias.”

Tal consciência pesa sobre o trabalho de transformação digital do Poder Público. “Envolve digitalização de serviços, interoperabilidade, compartilhamento de dados, unificação de canais digitais. E naturalmente tudo tem que ser feito com preocupação muito grande em relação à segurança cibernética”, emendou o coordenador geral de segurança da informação da Secretaria de Governo Digital do Ministério da Economia, Anderson Sousa.

Segundo ele, a realidade impõe o compartilhamento de riscos entre todos os envolvidos. “A gente acredita em modelo de risco compartilhado, onde o risco é compartilhado entre o gestor ofertando a solução, entre o fornecedor que operacionaliza aquela solução, e também entre os usuários.”

Fonte: Convergência Digital