Segundo relatório da empresa, no Brasil 1232 usuários únicos foram infectados pela ameaça que coleta dados íntimos e pessoais de vítimas

O número de casos de infecção por stalkware, programas comerciais usados como ferramenta de espionagem, ultrapassou 37 mil casos de janeiro a agosto deste ano, um aumento de 35% em relação ao ano passado, segundo o relatório “A situação do stalkerware em 2019”, da Kaspersky. Além disso, só em 2019 foram identificadas 380 variações desta ameaça, sendo 31% maior que a taxa de variação de stalkwares do ano passado. O relatório na íntegra está disponível em inglês no site.

De acordo com a Kaspersky, stalkwares possuem funcionalidades de invasão que conseguem acesso e coleta de dados pessoais e íntimos de vítimas, como fotos, acesso a redes sociais, localização e histórico de localização e áudios. A ameaça é capaz também de possibilitar que o cibercriminoso, de forma remota, mande mensagens e acesse a câmera da vítima infectada. A empresa lembra que, em alguns casos, isso pode ser feito em tempo real. Aplicações stalkwares funcionam de forma parecida com aplicativos de controle parental. No entanto, são instalados sem consentimento, em forma de malware.

Nos oito primeiros meses de 2019, 37.532 usuários únicos foram alvo de pelo menos uma tentativa de instalação de stalkerware em seu dispositivo. No ano passado, esse número foi de 27.798. Só no Brasil, 1232 usuários únicos foram infectados pela ameaça em 2018.

Como explica a empresa, embora esse número possa parecer menor, quando comparado com outros tipos de ciberataques, é importante considerar que, stalkwares são usados para monitorar vítimas específicas, onde o interesse é conseguir a maior quantidade de dados possíveis de uma única pessoa. Em muitos casos, esse tipo de ameaça precisa ser instalado manualmente, o que exige que o invasor tenha acesso físico ao dispositivo.

Erica Olsen, diretora do projeto Safety Net Project na National Network to End Domestic Violence, explica que os típicos stalkerwares quando desenvolvidos para operar completamente em modo furtivo, podem fornecer a agressores, stalkers, criminosos e assediadores uma ferramenta completa para praticar assédios, crimes, monitoramento, perseguição, abuso e até mesmo chantagem. “Esse tipo de experiência pode ser aterrorizante, traumatizante e ainda levar a riscos significativos à segurança. É importante tratar tanto a disponibilidade destes aplicativos quanto seu uso como uma ferramenta de abuso”, explica a executiva.

Já Vladimir Kuskov, especialista em segurança da Kaspersky, conta que ainda há muitos pontos para investigar e melhorar a segurança de prevenção contra ataques stalkware. “Precisamos encontrar e concordar em uma definição de stalkerware que possa ser reconhecida por todo o setor. Isso ajudaria a diferenciar melhor esse tipo de software e, portanto, proteger melhor os usuários de invasores de privacidade.”

Fonte: ITMidia