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Recentemente foi disponibilizado pela Netflix o documentário The Great Hack, onde é demonstrada a história da Cambridge Analytica e seus impactos em eventos de proporções internacionais, como as eleições norte-americanas (Obama e Trump) e do Brexit, entre outros de menor escala e também de forma indireta, realizando um trabalho até então oculto de profiling(definição de personalidade) de indivíduos quanto às suas orientações em vários aspectos de sua existência, bem como suas predisposições.

O documentário em si possui viés político e ideológico mas, removendo estes aspectos, é muito interessante e instigante observar como questões até pouco tempo atrás tidas como pura ficção científica estão alterando a história da bilhões de pessoas ao redor do mundo.

Elementos já vistos antes no livro 1984 e em muitos filmes e séries distópicos hoje já são factíves e são perfeitamente empregados utilizando, como sua matéria-prima, nossos dados pessoais.

Nesta linha foi criada a Cambridge Analytica, que utilizou-se, entre outras coisas, de dados diretos e indiretos obtidos no Facebook, onde os dados de perfil (inclusive privados) de usuários e também de seus contatos eram extraídos sem o consentimento dos indivíduos e utilizados para alimentar uma base de Big Data, definindo o perfil (e, consequentemente, as tendências, predisposições e modos de dissuadir) de milhões de pessoas, alterando o comportamento coletivo fazendo uso de campanhas publicitárias de todos os meios possíveis de modo a consolidar o público-alvo e angariar os indecisos de forma tendenciosa.

Viés político à parte, o que o documentário demonstra é que estamos totalmente atrelados e integrados em termos de vida pessoal e virtual, onde já não existe separação e a personalidade de uma pessoa se expande quando ela expõe suas informações mais inocentes, possibilitando que terceiros possam facilmente rastreá-las em seus mais profundos aspectos.

Chegou-se a um nível tão avançado de profilig que a Cambridge Analytica poderia dispor de até 7000 pontos de conhecimento do indivíduo (ou 7000 KPIs), o que provavelmente daria condições ao analisador de saber mais sobre uma pessoa do que ela própria e ir muito além de uma definição de perfil psicológico.

Isso possibilitou (ou ainda possibilita?) que nós sejamos definidos como um produto que tende a comprar algo, gastar uma determiada quantia, votar de acordo com certas convicções e agir de acordo com valores que podem ser todos explorados por quem vende estas soluções que buscamos para nossas vidas.

Diante do escândalo que a documentário mostra resulta uma série de medidas provenientes de governos e entidades privadas para que se regule a forma como a privacidade dos dados pessoais seja preservada, e leis como a HIPAAGDPRLGPD e tantas outras espalhadas ao redor do mundo, além de padrões como a ISO 27701 e certificações pessoais como as da Exin para formação de profissionais de Privacidade de Dados e também de líderes requeridos por estas legislações (os DPOs – Data Privacy Officers) visam esta normalidade dada a transformação digital e o novo modo de encararmos como o mundo virtual afeta a vida real.

Outra medida interessante é o movimento que está sendo feito para que a proteção de dados pessoais faça parte do conjunto de normas que define os Direitos Humanos.

O que fica como mensagem é a quebra de paradigma e ações simples, como cadastrar-se nas drogarias ou submeter informações que podem ser sensíveis em redes sociais devem ser parte de nosso cotidiano e está relacionado com a educação e cultura das pessoas.

Fonte: Blog do Rodrigo Magdalena