Especialistas em segurança eleitoral são ‘quase unânimes’ na opinião de que o voto online é arriscado. Mesmo sob as chaves do blockchain

Autor: Lucas Mearian, Computerworld (EUA)

Os testes públicos de votação móvel com base no blockchain estão crescendo. Mas mesmo que tenha havido um aumento nos projetos-piloto, especialistas em segurança alertam que a tecnologia é, potencialmente, perigosa para a democracia. O motivo? Possibilidades de “fraudes em massa” ou “táticas de manipulação”.

A segurança eleitoral tem estado em evidência, principalmente depois que o Congresso norte-americano realizou reuniões confidenciais sobre a infraestrutura cibernética dos EUA para identificar e se defender contra ameaças ao sistema eleitoral. A medida teve origem após as polêmicas sobre a interferência russa nas eleições presidenciais de 2016.

Um método para habilitar o voto online tem sido o uso de aplicativos baseados em blockchain. A tecnologia peer-to-peer emprega criptografia em um registro eletrônico de gravação única. Assim, ela permite que as informações e as cédulas sejam transmitidas pela internet. Nos últimos dois anos, os estados da Virgínia, Condado de Utah e a cidade de Denver usaram aplicativos móveis baseados em blockchain para permitir que militares e suas famílias, que vivem no exterior, enviassem cédulas de ausência usando um iPhone.

Mike Queen, vice-chefe de gabinete do secretário de Estado da Virgínia Ocidental, Mac Warner, disse que embora o estado não tenha planos de expandir o uso do voto para além do eleitorado militar ausente, seu gabinete fez “uma tonelada de diligências”. “O blockchain não apenas o torna seguro, mas [o aplicativo móvel baseado em blockchain] possui um sistema de salvaguarda biométrico realmente único, bem como reconhecimento facial e impressões digitais”, disse Queen.

No entanto, especialistas em segurança discordam. As questões em torno da votação online incluem ataques a servidores, malwares e outras violações, todas associadas a infecção de computadores dos eleitores ou dos órgãos que controlam e contam as cédulas.

“Se eu estivesse concorrendo para o cargo e eles decidissem usar o blockchain para essa eleição, eu ficaria com medo”, disse Jeremy Epstein, vice-presidente da Association for Computing Machinery’s U.S. Technology Policy Committee.

Fonte: ComputerWorld