Autor: Luis Osvaldo Grossmann

As empresas de telecom, energia, sistema financeiro e nuclear, ao lado de entidades governamentais passaram dois dias defendendo as infraestruturas críticas do país nominado como ‘Topázio’ de ameaças cibernéticas. Seja um ataque ao setor elétrico que prejudica a câmara de compensação de bancária ou a tentativa de derrubada das comunicações do satélite de defesa por meio dos links de banda larga, o Exercício Guardião Cibernético testou a capacidade de resposta desses ambientes às ameaças por meio das redes.

“No ano passado só havia eventos intra-setores. Este ano, conseguimos intersetores. Por exemplo, com um problema no setor elétrico com consequências na câmara de compensação bancaria, obrigando que as empresas de diferentes setores se inter-relacionassem para resolver o problema. Defesa cibernética é de uma importância gigantesca para a Nação e nela nenhuma corrente é mais forte que seu elo mais fraco”, afirma o comandante da defesa cibernética do Exército, general Guido Amin Naves.

Este segundo Guardião Cibernético trouxe como novidade a participação das empresas de telecomunicações e do setor elétrico.  O primeiro, em 2018, tinha apenas as estruturas de governo e os setores financeiro e nuclear, e reunia 23 organizações e 115 participantes. Desta vez foram 40 organizações e mais de 200 envolvidos. Em telecomunicações, além a Anatel na coordenação intra-setorial, estiveram presentes Oi, Claro, Tim, Telefônica e Telebras.

“Dobramos o Exercício do ano passado para cá e consideramos que todo o processo de montagem do exercício em si, que começou há oito meses, já estabelece uma rede de relacionamento importante intra e intersetores para aumentar nosso nível de proteção cibernética. Percebemos ganhos na interação do sistema militar de defesa cibernética com a proteção das infraestruturas críticas do país, além do ganho de maturidade que torna a nação mais resiliente”, diz o general Amin.

Além dos novos setores, o Guardião Cibernético 2.0 contou com uma ferramenta especial, um simulador específico para o ambiente nuclear, desenvolvido pelo Centro Tecnológico da Marinha e pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo como parte de um projeto da Agência Internacional de Energia Atômica. “Esse é um projeto que começou a ser desenvolvido há dois anos e que envolve 17 instituições em 11 países, mas que foi desenvolvido aqui no Brasil”, revela o superintendente técnico da diretoria de desenvolvimento nuclear da Marinha, capitão Rodney Busquim e Silva.

No exercício, cada empresa e organização participante constitui um gabinete de crise, com profissionais da alta administração, do setor de TI, da comunicação social e da área jurídica. “Um problema cibernético não terá necessariamente efeitos circunscritos ao espaço cibernético. Muitas vezes, há efeitos em outras áreas, por isso trazer a comunicação social e a área jurídica. E como grande moderador, a alta administração”, explica o coordenador do Guardião Cibernético, tenente coronel Walbery Nogueira de Lima e Silva.

O próximo Guardião Cibernético ficará ainda maior. “Já começamos a pensar no Guardião 3.0. E já estamos visualizando o acesso remoto de participantes, porque temos uma demanda reprimida muito grande de entidades e organizações que querem participar do exercício, sendo que fisicamente temos limitações. Vamos aumentar mais ainda a abrangência do exercício, pretendemos incluir o setor de água e transporte e se possível permitir a participação remota”, revela o general Guido Amin Naves.

 

 

Fonte: Convergencia Digital