O uso do aprendizado online pode expor os alunos ao lado mais sombrio da Internet. Cyberbullies usam plataformas baseadas na Internet para atormentar os outros, mesmo quando frequentam a escola

Enquanto o debate sobre a eficácia da educação digital nas escolas continua, o uso de computadores e recursos on-line é um dos pilares das salas de aula atuais. As estatísticas divulgadas em janeiro deste ano mostraram como o uso do Google Chromebook por alunos e educadores atingiu 30 milhões em todo o mundo, com o G Suite for Education da empresa tendo atingido 80 milhões de usuários globais desde que foi lançado em 2006.

O acesso ao aprendizado on-line expõe os alunos a uma grande quantidade de informações, e os professores usam recursos da Internet para planejamento de aulas, colaboração e aulas personalizadas interativas. No entanto, também pode expor os alunos ao lado mais sombrio da Internet. Cyberbullies usam plataformas baseadas na Internet para atormentar os outros, mesmo quando frequentam a escola.

As crianças e os adolescentes em idade escolar figuram como as principais vítimas em todo o mundo. De acordo com levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa (Ipsos), o “Brasil é o 2º país com mais casos de cyberbullying contra crianças e adolescentes” no mundo.

O cyberbullying é uma séria preocupação política, educacional e de saúde pública. O anonimato do cyberbullying, que elimina a interação face a face com as vítimas, requer menos coragem do que um ataque em pessoa, além de proporcionar a ilusão de que o perpetrador pode permanecer anônimo. Da mesma forma, a percepção da distância inerente ao cyberbullying pode encorajar os jovens a sentirem-se ignorantes quanto às suas consequências, vendo-as como divertidas e não prejudiciais. Como sempre, os jovens podem experimentar uma pressão social significativa para participar do comportamento de bullying.

Embora os smartphones e dispositivos dos alunos muitas vezes possam ser usados para o cyberbullying (como relatado recentemente, as crianças gastam em média mais de 3 horas por dia em “smartphones e outros gadgets”), laptops e tablets fornecidos pela escola também podem ser usados. Os Chromebooks do Google, conforme descrito acima, são particularmente predominantes em escolas, faculdades e outras configurações educacionais, embora sejam apenas um dos vários tipos de dispositivos que podem ser adquiridos pela organização educacional e emitidos para os alunos. Além disso, com a rede sem fio sendo cada vez mais a norma nas escolas, é mais fácil do que nunca que os autores de cyberbullying façam logon e usem as redes da escola para fins maliciosos ou prejudiciais.

Excluindo cyberbullying da turma

A própria educação tem um papel claro a desempenhar em ajudar escolas e faculdades a combater o cyberbullying. Ensinar os jovens sobre as consequências reais do bullying on-line, tanto em termos de saúde e bem-estar da vítima, quanto de possíveis consequências criminais para o perpetrador, é vital. Também está ajudando os jovens a se sentirem à vontade para reconhecer e relatar comportamentos prejudiciais antes que eles aumentem.

No entanto, também existem dimensões tecnológicas para combater o cyberbullying. A filtragem de URL é usada há anos pelas escolas para controlar quais sites da internet podem ser acessados nas redes escolares. Por sua vez, isso ajuda as escolas e autoridades educacionais a estabelecer políticas de computação seguras, especificando quais sites permitem, limitam ou bloqueiam o acesso a, e filtram o idioma inadequado. Novas técnicas permitiram que a filtragem fosse expandida para cobrir aplicativos da Internet e sites.

Proteção contra conteúdo malicioso

No entanto, embora a filtragem de conteúdo indesejado seja uma base técnica sólida para lidar com o cyberbullying, ele não vai longe o suficiente. Os jovens também devem ser protegidos de abusos on-line, como conteúdo impróprio, exploits de phishing e bullying online em chats, mensagens instantâneas e sites de redes sociais, incluindo Instagram e Facebook – e isso requer tecnologia avançada de sandboxing e filtragem, para identificar e extrair tais conteúdo antes de atingir os usuários. Além disso, a navegação segura deve estar habilitada para permitir que os jovens pesquisem com segurança em diferentes mecanismos de pesquisa, como Google, Yahoo e Bing, e com o YouTube para filtrar conteúdo e imagens perturbadores.

Professores ou gerentes em ambientes educacionais precisam ter poderes para definir recursos de pesquisa segura e monitorar, prevenir e alertar o uso de palavrões centralmente, e os recursos anti-bullying devem ser personalizáveis por meio de palavras-chave na lista negra, categorias de sites impostas e ações específicas de detecção / alerta / bloqueio. O cyberbullying evolui continuamente, portanto os stakeholders devem ter o poder de evoluir esses controles também.

Esses recursos avançados de proteção e filtragem devem ser implantados em dispositivos emitidos pela escola, como Chromebooks, para proteger as experiências on-line dos alunos e capacitar professores e gestores educacionais para aproveitar a tecnologia digital para aprender, sem aumentar o risco de cyberbullying. As ameaças cibernéticas que visam crianças em idade escolar são um perigo claro e presente, e o cyberbullying não é de forma alguma uma brincadeira de criança. Pode causar sérios danos e originar comportamentos violentos.

O cyberbullying só pode ser erradicado com a participação ativa de alunos, pais, professores, distritos escolares e especialistas da comunidade, e utilizando soluções avançadas que podem identificar as palavras e ações usadas pelos cyberbullies em aplicativos de mídia social, texto e e-mail. Com essa abordagem combinada, as escolas podem oferecer aos seus alunos um lugar mais seguro para aprender e prosperar, sem o cyberbullying.

*Daniel Romio é gerente de contas e canais da Check Point no Brasil

Fonte: Security Report