Resultado de imagem para eleições 2018Neste período em que estamos prestes a realizar a votação em primeiro turno para Presidente, Governadores, Senadores, Deputados Federais e Deputados Estaduais, muito se fala e se contesta quando o assunto se concentra nas pesquisas eleitorais.

Em meio à institucionalização das fake news e da pós-verdade, somado ao alto grau de instabilidade política e jurídica, ao descontentamento da população e ao alto grau de polaridade, temos um cenário extremamente sensível e, a exemplo de outras eleições (mas agora também de forma mais incisiva), os institutos de pesquisa e seus resultados são altamente contestados por todos os lados envolvidos.

Historicamente, o Brasil sempre teve como sinônimo de medição o instituto Ibope (atualmente Kantar Ibope Media) e, com o passar dos anos, Datafolha, Instituto Paraná, Ipespe e diversos segmentos, como financeiros e associações de classe) buscaram também uma faria considerável do mercado, tornando o processo menos obscuro, mas ainda muito longe de ser algo transparente e que seja devidamente compreensível ao grande público.

Em um paralelo com Segurança da Informação, podemos pontuar como, aparentemente, a metodologia trata a proteção de dados seguindo a tríade CIA (em português, Confidencialidade, Integridade e Disponibilidade das informações):

Confidencialidade

As pesquisas são realizadas por amostragem e não emitem qualquer registro que atrele a pessoa à sua resposta. Por outro lado, é possível resgatar a lista de pessoas que responderam às questões, pois no registro da pesquisa junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), suas principais fontes (base de dados com os nomes das pessoas entrevistadas) deve ser anexada esta informação.

Feita a pesquisa, é aplicado o conceito de Classificação da Informação que, antes da divulgação, normalmente é restrito (disponível apenas ao instituto, de forma seletiva) e após, público, com ampla divulgação.

Internamente a proteção deve ser realizada pela área competente, sem intervenção externa.

Porém, há muitos relatos e indícios de vazamento prévio dos resultados a jornalistas e partidos políticos, o que pode ser considerado incidente de Segurança da Informação, fraude e corrupção.

Integridade

Diferentemente de um censo, onde 100% do público deve ser abordado para uma projeção quantitativa, em uma pesquisa eleitoral, uma amostragem, de modo qualitativo, é selecionada de acordo com critérios como idade, gênero, escolaridade, renda, entre outros, levando à representação, como um recorte, da população em geral.

Indiscutivelmente este é o fator mais polêmico do processo, pois aqui a informação pode ser facilmente deturpada (intencionalmente ou não), pois o senso comum, normalmente concentrado em bolhas, tende a discordar do que é apresentado, levantando suspeitas e gerando fortes protestos, principalmente daqueles candidatos menos citados.

Disponibilidade

Nesta caso, muito ligado à imprensa, também é algo preocupante, pois pesquisas realizadas em nichos, como as que são feitas por bancos, principalmente, podem levar a um movimento semelhante ao que vemos nas bolsas de valores, chamado de movimento de manada, onde um grupo é influenciado por rumores (ou, neste caso, por informações que podem ou não ser legítimas) e, assim, modificar consideravelmente o cenário eleitoral.

O processo deve servir como um termômetro, mas jamais como um guia para que o voto seja proferido em qualquer que seja o candidato ou mesmo na participação efetiva do eleitor (lembrando que no Brasil o voto é obrigatório e processos administrativos, como justificativa, multas e sanções na emissão de documentos federais, como passaporte e concessão de crédito por instituições do governo são aplicáveis).

Fonte: Blog do Rodrigo Magdalena