Em post no blog da companhia, executiva reitera política de privacidade do Google; WSJ publicou reportagem onde detalha prática de desenvolvedores com acesso ao Gmail.

Desde que o Wall Street Journal publicou na última semana uma reportagem onde relata a prática de desenvolvedores externos ao Google lerem mensagens do Gmail para sofisticar o funcionamento de seus apps, a confiança no Google parece um  pouco abalada, ainda mais sob a sombra do caso envolvendo o Facebook e a Cambridge Analytica – que obteve acesso indevido aos dados de 87 milhões de usuários. No caso do Google, a companhia permite que desenvolveres third-party agreguem seus apps para entregar serviços como planejadores de viagem e CRM para o G Suite, a oferta corporativa do Gmail. Vale dizer que esses desenvolvedores precisam passar por uma sabatina do Google para poderem fazê-lo e só têm acesso quando o usuário der consentimento para tal.

Agora, o Google tenta jogar um pouco de luz na questão. Suzanne Frey, diretora de Segurança, Confiança e Privacidade do Google Cloud, assinou um post publicado no blog da companhia na terça-feira em resposta à reportagem. A grande questão levantada pelo WSJ é que funcionários de empresas externas estariam lendo e-mails de usuários do Gmail e não bots inteligentes que podem fazer isso de forma automática, algo que não fica claro na política de privacidade e permissões desses apps.

No post de Frey, a executiva não oferece novos insights na prática da indústria, mas ressalta medidas que um usuário e uma empresa que usa o G Suite têm ao seu alcance para proteger sua privacidade e segurança. Ela ainda reitera o compromisso do Google em vetar apps de terceiros e serviços que têm acesso a dados sensíveis do Gmail.

“Um ecossistema vibrante de apps que não são do Google dão a você opções e ajudam obter o máximo do seu e-mail”, escreve Frey. “Entretanto, antes de que um app de fora do Google seja publicado e obtenha acesso a suas mensagens no Gmail, ele passará por uma revisão de vários passos que incluem revisão automática e manual do desenvolvedor, avaliação da política de privacidade do app e de sua página inicial para assegurar que se  trata de um app legítimo e um teste interno para assegurar que ele funciona da forma que ele diz que  faz”.

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Entre as dicas que Frey dá estão o uso da ferramenta Security Checkup que analisa todos os dispositivos que logaram em sua  conta, os apps terceiros que tiveram acesso ao Gmail e ainda permissões que esses apps tiveram.

Vale também ressaltar que, diferente do caso Facebook x Cambridge Analytica, no caso do Google não há ainda relatos de mal uso dos dados do Gmail. Mas a notícia reforça nossas preocupações acerca da privacidade de nossas vidas digitais e trocas de informações online. No ano passado, o Google anunciou que pararia de escanear os conteúdos de mensagens do Gmail de usuários para fins de publicidade como parte da estratégia de fazer a sua oferta corporativa G Suite mais atraente para empresas. No post em que assina, Frey reitera que o modelo de negócios do Gmail é, prioritariamente, vender o serviço pago do e-mail para empresas e, enquanto há anúncios na versão gratuita do Gmail, esses não são baseados nos conteúdos das mensagens. 

“A prática de processamento automático causou algumas especulações erradas de que o Google lê seus emails. Para ser absolutamente clara: ninguém no Google lê o seu Gmail, com exceção em casos específicos onde você permite e nos dá consentimento ou quando nós precisamos para medidas de segurança, como investigação de um bug ou abuso”.

Fonte: IDG Now!