Como exemplo de abuso do uso de dados, reportagem do New York Times traz a integração do app da rede social ao sistema operacional da BlackBerry.

Facebook precisou explicar – mais uma vez – a sua política de privacidade após o The New York Times publicar reportagem em que acusa a empresa de compartilhar quantidades inadequadas de dados de seus usuários com fabricantes de dispositivos como Apple, Microsoft, Samsung e BlackBerry.

Segundo o jornal, a rede social teria mantido acordos com tais companhias para ajudá-las a criar apps da própria rede social para seus aparelhos por meio de APIs privadas. Um movimento que ajudou a integrar a funcionalidade do Facebook a seus respectivos sistemas operacionais.

Como exemplo de abuso do uso de dados, a reportagem traz a integração do app do Facebook ao sistema operacional da BlackBerry. Um repórter usou sua conta do Facebook para entrar no software proprietário da BlackBerry, que combina feeds de redes sociais com mensagens de e-mail. Depois disso, o software da BlackBerry conseguiu recuperar além dos dados de seus 556 amigos na rede social, informações de identificação pertencentes a quase 300 mil amigos dos seus amigos.

Esse nível de compartilhamento de dados vai contra a atual política de privacidade do Facebook, que proíbe que aplicativos de terceiros solicitem os nomes e dados dos amigos dos usuários. Segundo o NYT, o Facebook teria feito acordos semelhantes com pelo menos 60 fabricantes de dispositivos, apesar de não ficar claro qual o nível de acesso a dados foi acordado em cada caso.

Esse tipo de acesso e compartilhamento de dados lembra o escândalo da Cambridge Analytica, que envolveu o acesso indevido de dados de 87 milhões de usuários do Facebook pela consultoria política. A empresa teve tal acesso por meio de um quizz dentro do Facebook. Uma vez que o usuário respondia ao questionário, ele “abria uma porta” para os dados de seus amigos dentro da rede social.

O Facebook, entretanto, argumenta que tais transações eram necessárias – uma vez que os usuários precisavam se logar nos apps ou serviços dos fabricantes de smartphones e ainda reforça que as comparações com o caso da CA não são válidas. Isso porque, de acordo com o Facebook, compartilhar dados pessoais com empresas de publicidade ou desenvolvedores não é o mesmo que compartilhá-los com grandes fabricantes de tecnologia, uma vez que estas têm recursos para proteger informações e podem ser responsabilizadas quando abusarem delas e, o mais importante segundo a empresa, não ganha dinheiro através desses dados.

Fonte: Computer World