Embora haja ameaças de segurança que devem ser enfrentadas, a Internet das Coisas também abre grandes possibilidades de inovação e negócios, segundo a IEEE

Nos próximos dois anos, pesquisas preveem um crescimento exponencial da chamada Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês): cerca de 50 bilhões de equipamentos e aparelhos conectarão boa parte das empresas e pessoas a seus carros, lares, comunidades, informações de saúde e trabalho, o que vai tornar disponível uma enorme quantidade de dados. Quais os riscos e as oportunidades potenciais que surgirão com esse fenômeno?

De acordo com Artur Ziviani, membro sênior da IEEE e pesquisador do Laboratório Nacional de Computação Científica, há três grandes desafios imediatos relacionados à segurança e a potenciais vulnerabilidades de equipamentos da IoT. “Nesse contexto, encontrar o equilíbrio entre nível adequado de segurança e custo desses dispositivos, a fim de manter sua implementação acessível e viável em larga escala, é um desafio-chave”, afirma Ziviani. “Considerando a potencial implantação em grande escala de muitos dispositivos de IoT, torná-los suficientemente seguros é um desafio para evitar seu uso malicioso, bem como proteger informações geradas por esses dispositivos”. Nesse sentido, acrescenta o membro do IEEE, a preservação da privacidade também é um desafio para os dispositivos de IoT.

Raul Colcher, também membro sênior da IEEE e CEO da consultoria Questera, considera que o mais crítico desafio para a IoT se relaciona a aspectos de segurança e privacidade. “Com a crescente conscientização e maturidade de grandes redes de dispositivos para processos de automação cada vez mais críticos e sofisticados, torna-se crucial projetar uma proteção robusta contra possíveis ataques de hackers, terroristas e até mesmo da guerra cibernética por forças militares estrangeiras”, alerta Colcher.

Um segundo desafio derivaria do grande volume de normas necessárias, algumas delas relativamente complexas, refletidas nos programas de trabalho das organizações de normas nacionais e internacionais, consórcios e grupos de interesse. “Nem todos esses padrões estarão prontos no próximo ano, causando incerteza, diminuição da escala de mercado para fornecedores de dispositivos e software e perdas inevitáveis de investimentos por parte dos usuários finais”, observa Colcher.

“Uma terceira área desafiadora tem a ver com a necessidade de integração e colaboração. Com o surgimento de grandes aplicativos interorganizacionais de IoT, sistemas e redes terão de cooperar e ser integrados a outros processos internos e externos de organizações de usuários, o que exige modelos de referência, arquiteturas maduras, plataformas padrão, APIs, etc.”, acrescenta membro do IEEE.

Inovações na IoT

Nem só alertas e cenários incertos envolvem o futuro da IoT, mas também possíveis inovações que terão impacto na vida de todos nós. Para Ziviani, “inovações na análise de big data, incluindo pesquisa de dados e aprendizado de máquina, devem aprimorar os recursos para processamento e integração de dados de fontes heterogêneas da IoT. Estes também devem incluir pessoas que atuam como sensores participativos por meio de seu papel em redes sociais on-line, por exemplo”. Nesse sentido, Ziviani destaca a tendência de atrair as pessoas à IoT, considerando o comportamento humano no desenvolvimento de serviços mais centrados no usuário, adaptados a usuários individualizados. “Naturalmente, o desafio aqui é fornecer serviços individualizados que os usuários considerem úteis e benéficos, preservando a privacidade de cada um. Essa integração de dados de muitas fontes heterogêneas e análises em tempo real em escala são fundamentais para cenários previstos de IoT, como cidades inteligentes”.

Já na opinião de Colcher, embora um grande número de inovações vá impactar o desenvolvimento e o uso da IoT, “se estreitarmos nosso foco nos avanços realmente necessários para fazê-la funcionar de maneira adequada e permitir a difusão da tecnologia, o destaque principal são as plataformas de telecomunicações e, em especial, as funcionalidades 5G adequadas para apropriações na rede da IoT”, afirma o engenheiro.

Uma segunda área de inovação importante é a de energia: “Devemos esperar coisas como dispositivos de ponta de IoT mais eficientes, melhores maneiras de fornecer energia para dispositivos relacionados à IoT e novas tecnologias relacionadas à computação para aumentar a eficiência de energia de wearables e outros dispositivos de IoT com computação intensa”, prevê Colcher.

Uma terceira área de impacto será a de ciência de dados (data science) e Inteligência Artificial, acrescenta o engenheiro, “para as quais os sistemas de IoT certamente serão uma fonte importante de dados, exigindo sistemas mais complexos de ferramentas e algoritmos, sobretudo em contextos de segurança e análise preditiva”.

Benefícios à economia

E quais seriam os setores da economia que mais se beneficiarão com a avanço da IoT? Para Artur Ziviani, a área de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC, na sigla em inglês) será beneficiada tanto como fornecedora de equipamentos de IoT quanto como desenvolvedora de soluções integradas para análise de dados em larga escala. Embora a IoT vá exercer grande impacto em muitas áreas, como saúde, automação, mobilidade e segurança, entre outras, seu avanço em diferentes setores depende de muitos aspectos econômicos, políticos e sociais de cada país, ressalva o engenheiro do IEEE. “No Brasil, considerando o potencial de investimentos em soluções inovadoras, o agronegócio será impactado com diretamente pelos equipamentos de IoT e análise de dados para otmizar cada área de produção”, prevê Ziviani.

Raul Colcher também aponta a TIC como área a ser beneficiada. “Em particular, é provável que a evolução de redes de Internet e telecomunicações se relacione diretamente à evolução da tecnologia da IoT”, acrescenta Colcher. No caso de usuários dessa tecnologia, previsões destacam saúde, automação industrial, mobilidade urbana e cidades inteligentes como os setores que mais se utilizarão da IoT para avançar suas atividades. Também ratificando as previsões de Ziviani, Raul Colcher ressalva que esses avanços dependem de condições econômicas, tecnológicas, regulatórias e até culturais de cada país, o que implicará em diferentes cenários e ritmos. E igualmente prevê que, no Brasil, o setor de agronegócio desempenhará um importante papel nos rumos do mercado.

Fonte: Security Report