Autor: Emerson Alecrim

Uber

Ainda não dá para dizer que a fase infernal do Uber ficou no passado, mas aos poucos a companhia vai arrumando a casa para pelo menos amenizar os estragos. O último movimento vem em prol da privacidade: a partir de agora, o Uber será auditado para evitar que funcionários e usuários sejam “espionados”.

O problema tem relação com o chamado God Mode, ferramenta que permite que alguns funcionários privilegiados do Uber acompanhem todos os detalhes de uma corrida, como a localização em tempo real de motoristas ou clientes.

Na teoria, esse recurso é uma ferramenta de segurança e, portanto, deve ser usado apenas em situações específicas. Mas um executivo do Uber foi acusado de acessar o God Mode em 2014 para “seguir os passos” de uma jornalista do BuzzFeed sem que ela soubesse.

Depois do episódio, o Uber falou em descontinuar ou restringir o recurso, mas tudo indica que a promessa não foi cumprida: nos meses seguintes surgiram denúncias sobre funcionários que teriam usado o God Mode para rastrear ex-namoradas, políticos e até celebridades, como a cantora Beyoncé.

Para Maureen Ohlhausen, presidente da Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês), entidade que regula práticas comerciais nos Estados Unidos, o Uber errou duas vezes nessa história: ao não implementar cuidados para evitar que a ferramenta fosse usada indevidamente e ao prometer providências, mas não tomar decisões consistentes.

Encurralada com tantas críticas e acusações, a companhia decidiu fechar um acordo com a FTC para enterrar o problema. O Uber concordou, entre outras medidas, em implementar um programa interno de privacidade que terá auditoria independente (externa) a cada 24 meses pelos próximos 20 anos.

Em outras palavras, o Uber aceitou tomar medidas para evitar que usuários e funcionários sejam expostos indevidamente e, ao mesmo, deu sinal verde para que uma empresa de auditoria verifique se todas as normas do programa de privacidade estão realmente sendo respeitadas.

No comunicado sobre o assunto, o Uber afirmou que o acordo é satisfatório, mas enfatizou que, desde a primeira denúncia, em 2014, vem intensificando os esforços para a proteção da privacidade, dando como exemplo que, hoje, há centenas de funcionários dedicados apenas às tarefas de segurança.

Fonte: Mashable e Tecnoblog