Autor: Luis Osvaldo Grossman

Apresentado há quatro anos como o sistema de comunicação segura para “livrar o governo da espionagem”, o Expresso – desenvolvido internamente no Serpro – vai dar lugar a uma nova suíte de comunicação para os órgãos públicos. O SerproMail já descarta o nacionalismo pelo nome e é baseado na plataforma Zimbra, desenvolvida nos Estados Unidos e oferecida em versão de código aberto.

“Reconhecida como solução oficial de governo, o SerproMail pode ser contratado por dispensa de licitação pública”, avisa o Serpro. “O SerproMail será apresentado aos clientes do Serpro que hoje utilizam o Expresso e novos clientes podem solicitar degustação de dez caixas de correio eletrônico durante catorze dias”.

A dispensa de licitação é prevista no Decreto 8.135, de 2013, editado como resposta do governo brasileiro às denúncias de Edward Snowden de que até as comunicações de Dilma Rousseff tinham sido violadas pela espionagem americana. O objetivo seria garantir que tanto as redes de comunicação como as ferramentas e aplicativos fossem seguros para a troca de informações no governo.

Tudo bem que mesmo antes de a presidente Dilma sair do Governo pelo impeachment, o Planejamento, principal farol para compras de TI na Esplanada dos Ministérios, já trocara ele mesmo o Expresso pelo Outloook, da Microsoft, enfraquecendo a tese das comunicações seguras e o disposto no Decreto 8.135. Também é verdade que o próprio Expresso tem origem na plataforma eGroupware, desenvolvida na Alemanha e usada na criação original do que viria a ser o Expresso, pela Celepar, do Paraná.

Segundo a promoção do SerproMail, ele “é oferecido aos clientes do Serpro com remuneração computada conforme o número de caixas de correio utilizadas. As caixas têm valor mensal unitários de seis, nove e quinze reais, de acordo com a capacidade máxima de armazenamento e outras características”. Os valores envolvem, por exemplo, se as caixas são de 1GB, 2 GB ou 5 GB.

Na última vez que divulgou dados sobre a implementação do Expresso, no início de 2016, havia cerca de 56 mil contas ativas no governo federal e outras 10 mil em negociação. Longe da meta de 1 milhão de contas, para atender todos os servidores, e mesmo da fatia do Serpro, de 500 mil contas, após divisão da tarefa com a Dataprev.

Fonte: Convergência Digital