Autor: Peter Sayer

Associações de motoristas na Europa defendem campanha “Meu carro, meus dados” para chamar atenção de montadoras sobre privacidade e segurança em carros conectados.

Aqueles que dirigem seus próprios carros podem imaginar que contam com maior privacidade do que aqueles que usam transporte público. Mas esse não é necessariamente o caso quando falamos de carros conectados, alertou organizações de motoristas na Europa.

Para ajudar a identificar falhas ou a necessidade de simples manutenção, montadoras agora conseguem reunir dados de performance de carros conectados como distância total viajada ou o número de viagens feitas.

Mas talvez o que motoristas não têm consciência é sobre o quanto de outras informações montadoras conseguem reunir sobre os próprios a partir de seus carros.

Um estudo conduzido pela organização de motoristas da Alemanha, ADAC (sigla para Allgemeiner Deutscher Automobil-Club), descobriu que além de dados de distância e viagem, um recente modelo de carro consegue reportar dados sobre o comportamento do motor e status das luzes do veículo, além de outras informações.

No caso, o carro era um BMW 320d, que também registrou quanto tempo o motorista usou diferentes modos de direção e informou quando o cinto de segurança se esticava no caso do carro parar bruscamente. Além disso, registrou os últimos destinos inseridos no sistema de navegação do carro e informações pessoais como contatos sincronizados com smartphones.

A ADAC apenas examinou um modelo de carro, mas pretende continuar o estudo com outras marcas, indicou um representante.

Meu carro, meus dados

A Federação Internacional de Automóveis (FIA) quer que montadoras sejam mais transparentes, tendo pedido para que elas publiquem uma lista de fácil compreensão referente a cada modelo e todos os dados recolhidos, processados, armazenados e transmitidos externamente.

Com o risco de dados poderem ser interceptados ou ainda hackeados, a FIA quer que montadoras assegurem os dados, tornando possível que motoristas bloquem o processo de transmissão de dados não-essenciais.

Vale colocar uma questão em perspectiva. Em breve, se tornará impossível para pessoas comprarem carros que não sejam conectados. Na Europa, a partir de abril de 2018, todos os novos veículos deverão incluir suporte eCall, um sistema que em caso de acidente informa automaticamente serviços de emergência sobre a localização exata do carro.

E, bem, para fazer isso sera necessário um monitoramento contínuo de sua posição e ter uma conexão móvel de dados para reportar o acidente.

Uma vez que montadoras tiverem o trabalho de instalar tal hardware, é bem provável que eles não deixarão passar a oportunidade de firmar outros serviços e parcerias que possam gerar receita, como streaming de música, recomendações baseadas em localização e informações de trânsito.

Nesse contexto, a FIA defende que o motorista tenha liberdade para mudar de fornecedores de serviços para conseguir os preços mais baixos e os produtos mais inovadores. Uma campanha sobre o tema, intitulada de “Meu carro, meus dados”, foi lançada recentemente por organizações de motoristas para promover direitos de privacidade e liberdade.

Fonte: IDG NOW!