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A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês) iniciou uma investigação interna sobre um funcionário de alto escalão que presta serviços a uma empresa particular fundada pelo ex-chefe da agência Keith Alexander, o que pode configurar um conflito de interesses entre o governo e a empresa.

Pelo acordo, confirmado por Alexander e por agentes de inteligência, o técnico-chefe da NSA, Patrick Dowd, tem permissão de trabalhar até 20 horas por semana na IronNet Cybersecurity Inc, a empresa de Alexander, seu ex-chefe e general aposentado do Exército.

O arranjo foi aprovado pelos principais administradores da agência, afirmaram funcionários atuais e antigos. Embora não pareça violar nenhuma lei, não foi possível averiguar se Dowd já começou a trabalhar de fato para Alexander, que se aposentou da NSA em março.

Em um comunicado em resposta a perguntas da Reuters, a porta-voz da NSA, Vanee Vines, disse: “Este assunto está sob investigação interna. A NSA não comente sobre empregados específicos e leva a sério as leis sobre ética e os regulamentos em todos os níveis da organização”.

Autoridades de inteligência atuais e antigas, algumas das quais solicitaram anonimato para discutir questões pessoais, declararam não conseguir se lembrar de nenhuma circunstância na qual um agente de inteligência de alto escalão tivesse permissão de trabalhar simultaneamente no setor privado.

Elas disseram que o caso implica o risco de um conflito de interesses entre o trabalho governamental sigiloso e o negócio particular, e que poderia ser visto como a concessão de um privilégio à empresa de Alexander.

A IronNet Cybersecurity está desenvolvendo uma nova abordagem para proteger redes de computadores de invasores e a está oferecendo a instituições financeiras e outras corporações.

Alexander, diretor mais longevo da agência especializada em escutas e decodificações, confirmou o arranjo com Dowd em entrevista à Reuters. Ele afirmou crer que tenha sido aprovado por todas as autoridades governamentais cabíveis, e que a IronNet Cybersecurity, e não o governo, irá pagar pelo tempo que Dowd irá dedicar à empresa.

Segundo ele, o acordo foi concebido como forma de manter o conhecimento técnico de Dowd pelo menos parcialmente ao alcance do governo norte-americano, em vez de perdê-lo permanentemente para o setor privado.

Dowd não respondeu aos pedidos de comentário. Ele e Alexander solicitaram patentes baseadas em tecnologias que desenvolveram durante seu tempo na NSA, mas Alexander disse que as técnicas de cibersegurança que a IronNet está desenvolvendo não se baseiam nestas patentes.

A investigação interna surge em um momento delicado para a NSA, que no ano passado enfrentou a pior crise de seus 62 anos em virtude das revelações do ex-prestador de serviços Edward Snowden sobre o vasto esquema de vigilância eletrônica do governo dos Estados Unidos.

Paul Rothstein, professor de lei criminal e ética da escola de Direito da Universidade Georgetown, afirmou que a combinação da NSA com Dowd “parece problemática”.

“Se não for estruturada com muito cuidado, cria o risco de um conflito de interesses e de divulgação de segredos de Estado”, disse Rothstein. “É uma situação que deveria ser evitada no interesse da boa governança, a menos que haja alguma razão muito forte para justificá-la”.

Fonte: Reuters