turquiaO parlamento da Turquia acaba de aprovar uma nova legislação que dá novos poderes à autoridade de telecomunicações do país permitindo o bloqueio de páginas da Internet sem a necessidade de decisão judicial. Também prevê a guarda de registros de conexão e mesmo conteúdos, como e-mails, que podem ser acessados pelas autoridades a qualquer momento.

A reação do governo turco – que controla a maioria dos votos no parlamento, com 319 dos 550 representantes – não chega a ser uma surpresa. O país já conta, pelo menos desde 2007, com uma legislação que prevê mecanismos para retirar conteúdos da rede. Além disso, há uma clara insatisfação com o papel da Internet nos movimentos de protesto iniciados em maio do ano passado.

O primeiro ministro turco, Recep Erdogan, chegou a dizer, durante os protestos, que as redes sociais eram uma “ameaça para a sociedade”. A contrariedade, porém, estaria mais relacionada ao vazamento pela Internet de gravações nas quais supostamente Erdogan conversaria com um empreiteiro sobre flexibilizar regras de zoneamento urbano em troca de duas casas para sua família.

Segundo a BBC, o site Engelli Web, que lista páginas censuradas na Turquia, calcula que 40,5 mil websites estavam bloqueados no início deste mês. São 10 mil sites a mais do que o registrado há um ano. A Turquia já bloqueou o YouTube por pelo menos 18 meses, além de rádios na rede, como a Last.fm ou jornais como o espanhol El Mundo, ou mesmo redes sociais como o MySpace.

Fonte: BBC