Segundo Sun Tzu ([1]), “a arte da guerra nos ensina a não confiar na probabilidade do inimigo não estar vindo, mas na nossa própria prontidão para recebê-lo; não na chance de ele não nos atacar, mas sim no fato de que fizemos a nossa posição inatacável”. Ao ter a oportunidade de acessar uma parte do conteúdo obtido pelo denunciante Edward Snowden, a respeito do programa clandestino de vigilância eletrônica de dados em massa conduzido pela americana NSA e outras agências estatais estrangeiras, a frase daquele famoso estrategista chinês, que viveu há 2500 anos, não apenas foi a primeira que me veio à mente como também jamais havia me soado tão atual.

Diante da análise da dimensão e do poder do impressionante material a que tive acesso, não restam dúvidas de que, a fim de garantir a privacidade e a segurança cibernética, tanto do cidadão quanto das entidades brasileiras e para tornar seus dados invioláveis – é vital buscarmos reduzir o alcance de gigantes estrangeiras de tecnologia ao governo e às grandes empresas nacionais. É preciso valorizar cada vez mais portanto a “prata da casa” – empresas nacionais desenvolvedoras de sistemas de Cibersegurança, sujeita às nossas leis, menos suscetível a backdoors e passíveis de sofrer auditoria local.

CibersegurançaPor outro lado, quem sabe espionar bem, conhece mais os riscos envolvidos e procura se proteger da melhor forma possível, podendo assim suas ações nos servir de exemplo. Há uma interessante iniciativa no Pentágono, que tem funcionado como uma incubadora de novos negócios no segmento de proteção a ciberameaças nos EUA (vide http://blogs.estadao.com.br/link/governo-quer-startups-de-defesa-contra-espioes/). O Departamento de Defesa dos EUA tem procurado programadores no Vale do Silício, na Califórnia, para desenvolver tecnologias de proteção contra espionagem e ataques virtuais e levado ex-funcionários especializados para a Califórnia para aprenderem a criar negócios. Em 2012, os americanos investiram mais de US$ 1 bilhão em startups de segurança.

Diante deste cenário, é importante destacar a necessidade do Brasil investir em startups para desenvolver novos sistemas na área de defesa e Cibersegurança, uma vez que estamos vivenciando questões urgentes e complicadas para a defesa do nosso espaço digital. Precisamos de gente capaz de responder a isso com agilidade e as startups nacionais de segurança estão nesse caminho.

O governo brasileiro pretende investir em startups para desenvolver novos sistemas na área de Defesa e Cibersegurança. Um novo edital do programa Start-Up Brasil, previsto de ser lançado neste início de 2014, vai incluir uma linha de financiamento especial para negócios nessas áreas, segundo o secretário de Políticas de Informática do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, Virgílio Almeida, durante a Conferência do Ciberespaço 2013, em Seul, na Coreia do Sul. Investimentos como este são bem vindos, e contribuem para se criar uma cultura inovadora e uma massa crítica pensante nacional, que consiga proteger melhor nossas redes e sistemas computacionais.

Entretanto, não basta incentivo somente por parte do Governo – a iniciativa privada também precisa cumprir a sua parte na defesa do espaço cibernético do país. Precisa estar preparada para este novo desafio, o de fazer frente a ameaças não somente de concorrentes, mas de agências governamentais de inteligência e segurança.

Um importante passo nesta direção foi  a recente incorporação da Procela Inteligência em Segurança, pela Módulo Security Solutions. A startup nacional, que tem como diferencial competitivo uma equipe com experiência internacional em segurança cibernética aplicada às áreas estratégicas de defesa, tanto militar quanto de Estado, chega para agregar o portfólio da Módulo e reforçar sua atuação neste mercado especializado.

Parcerias como esta elevam a oferta de serviços de segurança e defesa cibernética a um novo patamar para o país e contribuem para reduzir a vulnerabilidade do nosso espaço cibernético seguindo assim a antiga e valiosa lição do estrategista Sun Tzu.

Fonte: Módulo Security