riscosEleito a melhor opção de compra em 2011 e 2012 pela software revista norte-americana SC Magazine, um nacional de gestão de riscos conquista cada vez mais prestígio e clientes no exterior. A solução, desenvolvida pela empresa carioca Modulo, já é exportada para cerca de quinze países nos cinco continentes. Batizado de Modulo Risk Manager, o software oferece a gestão integrada de riscos, monitoramento contínuo de incidentes e segurança da informação. “Costumo comparar nosso sistema a um procedimento médico”, explica Sérgio Thompson-Flores, presidente da Modulo. Primeiro é realizado uma espécie de raio X na empresa cliente, a partir do inventário de toda a infraestrutura disponível, o que gera informações como o número de servidores, endereços de IP, computadores e sistemas.

As etapas seguintes consistem em examinar as condições em que se encontra essa infraestrutura, avaliar quais ações precisam ser tomadas e realizar os ajustes necessários. “Diagnosticamos em tempo real qualquer sintoma de erro”, afirma o empresário. O modelo acelera o tratamento de ocorrências que, se não forem resolvidas rapidamente, afetam a continuidade dos processos de negócios.

Criada em 2001, a solução rendeu à Modulo mais de 20 prêmios nacionais e internacionais, entre os quais o Prêmio FINEP de Inovação Tecnológica, em 2006, 2008 e 2011, o info security products guide, de 2008 a 2011, o prêmio Assesspro Melhores Empresas em 2009, 2010 e 2012 e o reconhecimento internacional como Hot Company em 2008 e 2009, concedido pela Network Products Guide, revista líder mundial em tecnologias e soluções.

O sucesso se reflete em um crescimento médio anual de 30% nas vendas e na conquista de grandes clientes internacionais, como o Banco Synovus, a Hershey’s, o Centro Médico da Universidade de Nova Iorque e o WorldPay. O software é fornecido em inglês, português e espanhol,com habilitação para recebimento de informações em todos os idiomas, inclusive chinês e japonês.

A primeira unidade internacional da Modulo foi inaugurada em 2005, nos Estados Unidos. Hoje, com escritórios em Atlanta, Londres e Dubai, a empresa exporta para países como Canadá, México, Nigéria e até mesmo Índia, uma das plataformas globais de tecnologia da informação. A estratégia adotada foi apostar em um produto exclusivo e de qualidade diferenciada. “Seria impossível competir no mercado indiano, por exemplo, em softwares mais simples, devido aos altos custos de produção existentes no Brasil”, revela Thompson-Flores.

Segundo o empresário, a meta em 2013 é expandir a atuação no mercado externo, principalmente em países europeus de língua alemã e no Oriente Médio. “Esperamos que a receita com exportações passe a representar entre 15% e 18% do nosso faturamento”, projeta Thompson-Flores. Em 2012, a Modulo faturou aproximadamente R$ 80 milhões, 10% vindos das exportações, o que representa um crescimento de 40% em relação à 2011.

Para manter o software sempre entre os melhores do mundo, a Modulo investe em média 15% do faturamento em inovação. Através de dispositivos de segurança física, coletores de dados e análise de conteúdo em mídias sociais, o programa é capaz de identificar e priorizar os riscos existentes nas empresas usuárias. Então, com base nas melhores práticas de mercado, recomenda ações que apoiam o processo de tomada de decisões e ajuda a criar rotinas. A interface da solução é amigável e fica disponível através da web, onde o gestor encontra painéis de controle com mapas, tabelas, gráficos e vídeos. Entre os principais benefícios oferecidos estão obter resultados precisos no processo de conformidade com normas e regulamentações, distribuir de forma sistemática as políticas da organização e implementar um fluxo para manutenção, atualização e aprovação dessas políticas. No Brasil, alguns dos principais clientes são a Agência Nacional de Petróleo, o Inca, o Banco Nossa Caixa e a Itambé.

Durante a Rio+20, realizada em junho, o Módulo Risk Manager foi o software responsável por dar suporte à gestão de riscos e incidentes da conferência. Foram registrados 8.478 eventos críticos, como engarrafamentos, protestos e interdições de vias. O desdobramento destes incidentes geraram aproximadamente 130 mil entradas no sistema. Outros 34 mil alertas foram enviados a responsáveis pela operação, infraestrutura e segurança, sendo efetuadas mais de 5 mil ações de acompanhamento, controle e resolução dos fatores críticos.

O programa integrou todas as informações relevantes para monitoramento, segurança e logística, compartilhando os dados por meio de smartphones , tablets , SMS, e-mail e telefone. A Sala de Gestão Integrada de Riscos, montada e operada pela Módulo, atuou 24 horas por dia, em 3 turnos, com uma equipe de cerca de 50 pessoas. O objetivo foi facilitar a integração das diversas entidades participantes da organização do evento e o monitoramento de mais de cinco mil pontos, como hotéis, restaurantes, ruas e aeroportos, além do acompanhamento do deslocamento das delegações internacionais. “Trata-se de uma solução de estado da arte para gestão de grandes eventos. Assim, reforçamos a qualificação do Brasil para receber a Copa do Mundo e as Olimpíadas e a competência das empresas brasileiras para apoiarem esse esforço”, destaca Thompson-Flores.

A companhia já participou de projetos semelhantes em eventos como as Olimpíadas de Inverno de Vancouver, no Canadá; Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro; e GP’s São Paulo de Fórmula 1 e Fórmula Indy 300. Durante todo o tempo, são acompanhadas informações como a logística, trânsito, infraestrutura, transportes e segurança através de diversas bases de dados, como centros de operações das prefeituras envolvidas, câmeras de trânsito, divulgações da imprensa e Twitter. Quando registrado algum incidente, os profissionais de monitoramento enviam alertas para a coordenações dos eventos. Essas informações são concentradas pelo software, que organiza os riscos por ordem de prioridade. Outros grandes projetos que utilizam a metodologia são o de Gestão de Serviços Públicos por Indicadores do Governo do Estado do Rio de Janeiro; a fiscalização dos portos, aeroportos e fronteiras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e a gestão dos 65 destinos indutores do turismo no Brasil pelo Ministério do Turismo.

Desde 2010, o programa é utilizado também no monitoramento contínuo da cidade de São Paulo. Com onze milhões de habitantes e outras centenas de visitantes a negócios ou lazer, a cidade mais movimentada da América Latina criou um centro de monitoramento de todas as ocorrências e situações que venham a alterar as condições de normalidade. Nesse projeto, é utilizada uma rede de informações e de imagens que contempla as 31 subprefeituras e demais órgãos da Prefeitura. Além do monitoramento remoto, agentes percorrem as ruas de São Paulo com a missão de identificar as necessidades da cidade. Todas essas ocorrências são carregadas no Módulo Risk Manager, que permite não só a integração da central com os diversos órgãos e departamentos, como também a geração de gráficos e estatísticas sobre as condições da cidade e sobre o tratamento das cerca de 800 ocorrências registradas por dia. No total, mais de 68 mil logradouros são monitorados e mais de 400 profissionais da prefeitura participam dos processos.

O desenvolvimento tecnológico da empresa é apoiado pela FINEP desde 2000, ano em que a Modulo foi selecionada para participar da primeira edição do Venture Forum FINEP. Desde então, foram firmados com a Financiadora três projetos que envolveram o aprimoramento das soluções de Gestão de Análise de Riscos, Segurança da Informação e Compliance. No total, a FINEP aportou cerca de R$ 1 milhão nas iniciativas. “Além dos recursos financeiros, que são muito importantes, é óbvio, a credibilidade proporcionada pela parceria com a FINEP é, para nós, um ativo fundamental”, conclui Thompson-Flores.

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Fonte: FINEP