redesAutor: Luis Osvaldo Grossmann

As redes de comunicações do governo vão ser tratadas como questão de segurança nacional e será esse o caminho legal para a contratação direta da Telebrás, por exemplo, para fornecer o serviço aos órgãos públicos. A ideia já fora sugerida no desenho original do Plano Nacional de Banda Larga e foi recuperada por conta das denúncias de espionagem.

Daí que o Decreto que estabelece a reestruturação das redes, bem como a obrigação de que os órgãos da administração federal utilizem o ‘e-mail seguro’ do Serpro, tenha que passar primeiro pelo Conselho de Defesa Nacional, como explicou nesta quarta-feira, 16/10, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

“Chegamos a sugerir que a parte que não precisa passar pelo Conselho de Defesa Nacional fosse assinada antes, mas saíra tudo junto. Segundo a Casa Civil, o Conselho vai tratar desse assunto ainda nesta semana”, afirmou o ministro, após participar de audiência pública sobre a Lei das Antenas na comissão especial da Câmara que discute o projeto.

É a mesma lógica que dispensou de licitação o uso da Telebr´ss na operação do satélite geoestacionário – projeto compartilhado com o Ministério da Defesa. Ou seja, pela possibilidade aberta pelo artigo 24 da Lei 8.666/93, que dispensa o procedimento “quando houver possibilidade de comprometimento da segurança nacional”.

Cautelosamente, o secretário de Telecomunicações do Minicom, Maximiliano Martinhão, ressaltou que “neste momento esse tratamento será dado somente às comunicações de dados, ficando telefonia fixa e móvel de fora”. Em 2010, quando a Telebrás foi reestruturada, as operadoras já se queixavam da possibilidade de o governo deixar de contratar os serviços  privados.

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Fonte: Convergência Digital