fbookAutor: Andrei Smirnov

Quase 9 milhões de pessoas nos EUA e 2 milhões no Reino Unido decidiram sacrificar as fotografias, vídeos e outras informações a que se deram tanto trabalho para acumular ao longo de muitos anos nas suas contas do Facebook. Contudo, não foi em todos os países que a ameaça de vigilância e de perda de privacidade foi levada a sério. Segundo a pesquisa realizada pelo site da Voz da Rússia, na Alemanha só 10% dos respondentes eliminaram as suas páginas. Entre os francófonos, 13% já se livraram das suas contas e outros 23% pensam fazê-lo. Os usuários anglófonos foi quem mais se assustou com a perspectiva de serem vigiados: 57% “mataram” as suas páginas do Facebook. Já os russos que apagaram as suas contas foram só 4%.

Temos de referir que os usuários que abandonam o Facebook dificilmente tomam a decisão de forma leviana ou como uma reação emocional. Tudo indica uma decisão bem pensada e ponderada, já que sair de uma rede social não é muito simples, disse na sua entrevista à Voz da Rússia o Professor Michael Macy do departamento de sociologia da Universidade de Cornell:

“Remover uma conta é extraordinariamente difícil, é muito mais fácil deixar de usá-la. Além disso, com a eliminação da conta você perde todo seu conteúdo, fotos, etc. Tudo é feito para que os usuários não se decidam a fazê-lo, mas se as pessoas se decidem e eliminam as suas contas, isso é um sinal claro que reflete uma preocupação com a privacidade das suas informações pessoais.”

Será que vai continuar esta grande eliminação de contas? Quais serão os resultados? Essas perguntas foram respondidas à Voz da Rússia por Jim Killock, diretor executivo da organização britânica de defesa dos direitos digitais Open Rights Group:

“Isso irá se refletir obrigatoriamente nos interesses comerciais: o Facebook, nomeadamente, irá perder receitas. Mas isso será provavelmente um aspecto positivo, pois nesse caso as empresas terão de rever as suas relações com os serviços secretos norte-americanos e ter uma maior atenção às leis que permitem que o governo viole a confidencialidade.”

Contudo existe um outro lado da questão. A cultura de comportamento dos usuários no ciberespaço ainda está longe de ser perfeita. Eis que a privacidade pode ser mantida de uma forma simples ao cumprir uma determinada “higiene” na comunicação online, diz o conhecido politólogo mexicano Gabriel Carrillo.

“Eu uso o Facebook de maneira a ninguém poder acrescentar informações desnecessárias. A melhor, e talvez a única, forma de o fazer é não publicar quaisquer dados pessoais confidenciais nas redes sociais. Eu não coloco aí os meus números de telefone, fotos pessoais ou números dos cartões de crédito. Para mim o Facebook é uma mídia e não um depósito de dados pessoais. Na minha opinião, muitas pessoas não entendem a importância de uma “higiene” na Internet.”

Depois de ter estourado o escândalo da vigilância, as empresas Facebook, Google e Yahoo propuseram a introdução de novas regras de “transparência” que permitirão aos usuários verificar quais são as informações, e a sua quantidade, recolhidas pelos serviços secretos. Na opinião dos peritos, essa transparência poderá ajudar em alguma medida, mas o passo mais importante deverá ser dado pelas autoridades que devem limitar de forma legislativa que as pessoas possam ser espiadas sem a respectiva decisão de um tribunal.

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Fonte: Voz da Russia