Crédito da Imagem: Convergência Digital
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A espionagem dos Estados Unidos – e a colaboração de empresas americanas de Internet com a coleta de dados – já criou uma oportunidade de negócios que os Correios pretendem aproveitar: a oferta de um serviço de correio eletrônico criptografado, de preferência gratuito. A ideia não é nova: em 2003, já se tinha projeto de os Correios oferecerem um e-mail nacional, mas o projeto não foi adiante.

A ideia, em si, agora, surgiu antes das denúncias do ex-espião Edward Snowden sobre o alcance aparentemente ilimitado da espionagem americana, especialmente através de diferentes programas de captura eletrônica de dados à cargo da Agência de Segurança Nacional dos EUA. “Isso veio a partir do desenvolvimento de um serviço de correio com certificação digital e pensou-se na possibilidade de expandir para um e-mail com criptografia. Veio antes dessa discussão sobre espionagem, mas acelerar esse processo seria uma boa resposta do Brasil”, diz o secretario executivo do Ministério das Comunicações, Genildo Lins.

Os Correios desenvolvem um novo serviço de entregas digitais associadas à certificação digital – uma nova versão de um AR Digital. Nesse processo, defenderam junto ao Minicom estender parte desse desenvolvimento a um serviço de e-mail “seguro”. E ainda que a ideia seja anterior, o momento seria favorável. “É uma oportunidade de negócios para os Correios”, defendeu Lins.

Não será o primeiro serviço de e-mail “estatal”. Diferentes órgãos públicos já fazem uso do Expresso, o serviço de correio eletrônico desenvolvido pelo Serpro. Para o Minicom, no entanto, há diferenças. “O Serpro não presta serviços diretamente à população, mas os Correios sim”, sustentou o secretário executivo. O conceito, revelado pelo ministro Paulo Bernardo à Folha de S. Paulo, seria de uma alternativa nacional aos serviços da Google – gmail – e da Microsoft – Hotmail. O secretario executivo faz uma distinção, porém, de que a remuneração do serviço se daria pela venda de publicidade. Além disso, na prática o uso da criptografia faria esse e-mail mais parecido com o (agora extinto) Lavabit.

Lavabit era e-mail dos EUA que preservava a privacidade dos clientes e usava de criptografia assimétrica. Ficou mundialmente famoso quando revelado ser o serviço utilizado pelo ex-espião Edward Snowden, o autor das denúncias sobre a espionagem dos EUA. Pressionado a colaborar com a espionagem, seu criador, Ladar Levison, preferiu encerrar o Lavabit há um mês.

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Entrevista de Edward Snowden que denunciou o esquema de espionagem dos EUA.

Fonte: Convergência Digital