spystateAs revelações do sistema de espionagem americano podem levar a indústria de computação em nuvem dos EUA a perder entre 22 e 35 bilhões de dólares nos próximos três anos, segundo estudo da Information Technology & Innovation Foundation. Este é um efeito “imediato e duradouro”, que vai crescer mais e mais “, se os clientes estrangeiros acreditarem que os riscos de armazenamento de dados com uma empresa dos EUA superam os benefícios.”

Serviços de cloud computing são oferecidos no mundo inteiro, e até o momento os Estados Unidos têm liderado o mercado Global. Mas, segundo o estudo, as empresas europeias, em particular, podem explorar com sucesso as divulgações de espionagem para desafiar a liderança dos EUA cloud computing em mercados estrangeiros.

Daniel Castro, o autor do estudo do ITIF, reconhece no relatório que a análise e as projeções estão baseadas, até agora, em dados iniciais, mas argumenta que os riscos para os fornecedores de cloud dos Estados Unidos são altos. “Se as empresas americanas perderem quota de mercado no curto prazo, isto terá implicações de longo prazo sobre a sua vantagem competitiva nesta nova indústria“, escreveu Castro. “Os países rivais têm notado esta oportunidade e vão tentar explorá-la“, disse ele.

Hoje, cerca de metade de todos os gastos com os serviços em nuvem vem de fontes norte-americanas, sendo o restante proveniente do mercado fora dos Estados Unidos. E agora que PRISM foi revelado, as dúvidas quanto o alcance total do sistema preocupam os usuários estrangeiros. Será que os Estados Unidos usa o PRISM para sufocar concorrentes estrangeiros ou roubar segredos comerciais?

Há um monte de razões para estar preocupado com o quão importante as consequências serão“, disse Weinstein. “Esse esforço dos governos europeus e provedores de nuvem europeus em debater a real a proteção de dados proporcionada por empresas dos EUA já estavam indo bem antes que alguém soubesse das revelações feitas por Edward Snowden“, afirma Jason Weinstein, sócio da firma de advocacia Steptoe & Johnson LLP e um ex-promotor federal. Na opinião de Weinstein, para combater a reação estrangeira, o governo americano terá que ajudar os fornecedores de nuvem, desafiando as reivindicações feitas pelos funcionários estrangeiros.

Segundo a ITIF, o êxodo já começou. Clientes estrangeiros estão canalizando seus euros e ienes para provedores de serviços de cloud computing fora dos EUA. A estimativa é de que a participação de mercado das empresas norte-americanas encolha de 85% “pré-PRISM” para 65% em 2016. No pior cenário, esse número pode atingir 55%, o que representaria uma perda total de 35 bilhões de dólares nos próximos três anos.

Mas esses números realmente não incluem danos a terceiros – incluindo talvez sua empresa – que usam serviços de cloud computing no curso dos negócios. Será que os clientes potenciais pensarão duas vezes antes de se envolver com você, se você confiar em ferramentas de nuvem? Mesmo que você não use muito a computação em nuvem hoje, você pode ter certeza que enfrentará um monte de perguntas sobre onde os dados dos clientes são armazenados e, talvez, ser solicitado a fornecer garantias sobre o que acontecerá se esses dados acabarem caindo em mãos erradas.

O estudo do ITIF faz menção também a um outro estudo, da Cloud Security Alliance, que comprova que clientes não-americanos de empresas americanas de hospedagem na nuvem estão claramente abalados com as revelações de que a Agência de Segurança Nacional reúne grandes quantidades de dados de clientes de provedores de Internet e empresas de telecomunicações. O levantamento constatou que 10% dos 207 funcionários de empresas não-americanas ouvidos cancelaram contratos com prestadores de serviços dos Estados Unidos após a revelação do programa de espionagem da NSA no mês passado. Na pesquisa completa, mais da metade dos 456 representantes de empresas dos EUA, Europa e Ásia, disseram estar menos propensos a usar provedores de serviços em nuvem da América por causa de preocupações sobre o acesso do governo dos EUA para seus dados

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Fonte: CIO