Os últimos dias não têm sido nada fáceis para o pessoal que trabalha na rede social Ask.fm. O serviço tem recebido duras críticas desde o início de agosto, quando uma adolescente se suicidou no Reino Unido. E o que uma coisa tem a ver com a outra? De acordo com o pai, a garota pôs fim à própria vida depois de ter sofrido intenso bullying pelo Ask.fm.

O funcionamento do serviço é bastante simples: basicamente, os usuários fazem e respondem perguntas. Ajuda na popularidade do Ask.fm a possibilidade de questões serem feitas de maneira anônima, elevando significantemente a quantidade de interações. O problema é que muitos usuários estariam utilizando do anonimato (desconsiderando aqui a possibilidade de identificação por IP) para ações maliciosas, entre elas, o cyberbullying. É aí que começa a história trágica de Hannah Smith, de 14 anos, pelo menos segundo os seus pais.

Por meio de sua conta no Ask.fm, a garota teria recebido várias mensagens insultantes nos dias que antecederam a sua morte, algumas delas em tom bastante repugnante, como “por que você não se mata de uma vez?”. Apesar de a garota ter sofrido provocações também fora da internet (ela chegou inclusive a mudar de colégio), os pais atribuem à quantidade de mensagens via Ask.fm a decisão tomada por ela.

Depois que o assunto ganhou destaque no noticiário britânico, foi questão de horas para os “ataques” ao Ask.fm começarem. Uma campanha pedindo o fechamento do serviço já tem mais de 135 mil participantes; empresas como eBay, McDonald’s e Vodafone deixaram imediatamente de anunciar nas páginas do Ask.fm; e até David Cameron, primeiro-ministro do Reino Unido, incitou um boicote à rede social.

Se por um lado a reação parece exagerada, por outro, o Ask.fm aparenta mesmo ser falho em aspectos ligados à segurança e privacidade de seus usuários. Não há, por exemplo, controle parental ou meios mais eficientes de denunciar abusos. São justamente estes pontos que a empresa atacará para tentar acalmar os ânimos.A empresa anunciou que a sua ferramenta de denúncias em breve (a partir de setembro, provavelmente) terá categorias como “bullying”, “violência” e “conteúdo pornográfico”. Além disso, haverá contratação de mais pessoal para monitoramento e ações de segurança.

Os recursos para usuários não registrados serão limitados e a opção de configuração que impede perguntas feitas por anônimos ficará mais evidente. A companhia se comprometeu ainda a responder às denúncias em menos de 24 horas. Estas medidas, no máximo, aliviarão a barra do serviço. O Ask.fm está recebendo as pedradas por força das circunstâncias, mas o cyberbullying também afeta outras redes sociais, mesmo aquelas melhor preparadas, como o Facebook. Se levarmos em conta que este é um reflexo do que acontece no “mundo real”, veremos o óbvio: o problema está muito mais embaixo e, como até ditos especialistas parecem não saber ao certo como combatê-lo, a solução não passa de um sonho distante.

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Fonte: BBC

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